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Saturday, May 8, 2021

Visita de delegação americana de alto nível a Taiwan aumenta a tensão com a China

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Pequim afirma que exercícios militares ao redor da nação insular, que considera uma província rebelde, são ‘treinamentos de combate’

O Globo e agências internacionais

14/04/2021 – 13:30
/ Atualizado em 14/04/2021 – 13:36

Delegação americana é recebida pelo chanceler de Taiwan, Joseph Wu, e pelo diretor do Instituto Americano em Taiwan, Brent Christensen, ao chegar em Taipei Foto: POOL / REUTERS
Delegação americana é recebida pelo chanceler de Taiwan, Joseph Wu, e pelo diretor do Instituto Americano em Taiwan, Brent Christensen, ao chegar em Taipei Foto: POOL / REUTERS

PEQUIM — O desembarque de uma delegação de alto nível do governo americano em Taiwan aumentou ainda mais as tensões sino-americanas, um dia após a China fazer uma reclamação formal à Casa Branca sobre a visita. Em paralelo, Pequim descreveu como “treinamentos de combate” o aumento de suas atividades militares ao redor da ilha, que considera uma província rebelde.

A missão não-oficial americana desembarcou na semana seguinte ao presidente Joe Biden autorizar uma intensificação dos encontros com Taipei. Durante a visita de três dias, haverá encontros com a presidente Tsai Ing-wen e com autoridades de Segurança Nacional.

Entre os integrantes da delegação estão dois ex-vice-secretários de Estado americanos, Richard Armitage e James Steinberg, e o ex-senador democrata Christopher Dodd.

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— Uma reunião dessas não ajuda a melhorar os elos entre os dois lados do Estreito [de Taiwan] ou estabilizar a região — disse Ma Xiaoguang, porta-voz do órgão do governo chinês responsável por assuntos referentes à ilha. — Só vai aumentar as tensões. Claro que um encontro desses não vai mudar o fato que Taiwan é uma parte da China.

Os EUA deixaram de reconhecer Taiwan como representante oficial da China no final dos anos 1970, quando retomaram as relações diplomáticas com Pequim. Apesar de ter mantido uma relação especial com a ilha, incluindo o fornecimento de armamentos, Washington evitava contatos de alto nível com os taiwaneses, a fim de não melindrar os chineses.

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O governo Biden, que manteve o tom de confronto no relacionamento com Pequim instituído pelo republicano Donald Trump, está revendo essa política, com apoio do Congresso, onde há praticamente um consenso anti-China. Em paralelo, a China vem acirrando suas atividades militares ao redor da ilha.

Na segunda, Taipei disse que 25 aeronaves da Força Aérea chinesa, incluindo caças e bombardeiros com capacidade nuclear, entraram em sua zona de defesa — maior incursão relatada até agora. Na terca, mais quatro caças J-16 e uma aeronave de guerra antisubmarino também foram deslocados.

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Resposta chinesa

No domingo, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, havia demonstrado preocupação com “ações agressivas” chinesas contra a nação insular. Segundo Pequim, no entanto, o conluio entre Taiwan e “forças estrangeiras” justificaria as manobras militares, agindo como um sinal de que “nossa determinação para conter a independência de Taiwan e o conluio com os EUA não é apenas conversa”:

— A organização de exercícios de combate no Estreito de Taiwan é uma ação necessária para responder à atual situação de segurança e salvaguardar a soberania nacional — disse Ma. — É uma resposta solene às interferências e provocações das forças pela independência.

Segundo o porta-voz, a “independência de Taiwan é uma rua sem saída” e a oposição local tem por fim “usar armas para buscar a independência”. Isto, afirmou, é “como beber veneno na esperança de matar a sede e só levará Taiwan em direção ao desastre”.

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Taiwan é a questão territorial e diplomática mais sensível da China e uma fonte regular de atritos sino-americanos. A ilha tem um governo separado do resto do território chinês desde que os nacionalistas fugiram para lá, depois de serem derrotados pelos comunistas na guerra civil, em 1949.

A reunificação territorial é um objetivo chinês em longo prazo, e especialistas em Pequim afirmam que são exageradas as especulações de que poderia, em curto prazo, lançar uma operação militar para impor essa integração.

Na avaliação dos chineses, os EUA jogam contra a reunificação porque um domínio completo de Pequim sobre o Estreito de Taiwan poria em xeque a supremacia naval americana no Pacífico, algo que Washington mantém desde a ocupação do Japão, ao final da Segunda Guerra Mundial.

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