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Sunday, April 11, 2021

Trabalhadores de saúde da Índia hesitam em tomar a Covaxin, vacina contra Covid-19 desenvolvida no país, diz agência

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Fabricante está em negociações com governo federal e clínicas privadas para uso do imunizante no Brasil

O Globo, com Reuters

25/02/2021 – 14:33

Um homem recebe a vacina contra a Covid-19 da Bharat Biotech, chamada Covaxin, em um centro de vacinação em Nova Delhi, Índia, 13 de fevereiro de 2021. Foto: ADNAN ABIDI / REUTERS
Um homem recebe a vacina contra a Covid-19 da Bharat Biotech, chamada Covaxin, em um centro de vacinação em Nova Delhi, Índia, 13 de fevereiro de 2021. Foto: ADNAN ABIDI / REUTERS

NOVA DÉLI — A Índia está lutando para convencer seus profissionais de saúde e de linha de frente a tomar a vacina contra a Covid-19 da Covaxin. Desenvolvida no país, ela foi, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters, aprovada de forma controversa, sem anunciar dados de eficácia de estágio final.

O gigante asiático já vacinou mais de 10,5 milhões de profissionais de saúde e da linha de frente desde o início de sua campanha de imunização, no dia 16 de janeiro. Mas apenas 1,2 milhão, ou cerca de 11% deles, tomaram a Covaxin, imunizante desenvolvido pela indiana Bharat Biotech. Os 9,4 milhões restantes se imunizaram com a vacina da AstraZeneca, segundo dados atualizados nesta quinta-feira da plataforma on-line oficial de rastreamento da campanha de vacinação.

No Brasil, o governo federal está em negociações com o laboratório Bharat Biotech. A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira uma Medida Provisória que inclui no rol de agências reguladoras estrangeiras que acelerariam a avaliação do registro no Brasil o órgão de vigilância sanitária da Índia.

A Precisa Medicamentos, que representa a Bharat no Brasil, firmou um acordo prévio  de intermediação com a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), que negocia doses do imunizante contra a Covid-19 para cerca de 300 associadas. A oferta no setor privado, no entanto, depende do registro definitivo, pois a exploração comercial é vedada no caso de vacinas aplicadas sob o regime emergencial.

O governo da Índia encomendou até agora 10 milhões de doses da Covaxin e 21 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca. Nova Déli afirma ter recebido pelo menos 5,5 milhões de doses da primeira.

— A resistência na Índia é por causa da discussão inicial sobre como (a Covaxin) era apenas uma vacina experimental, que não havia concluído o ensaio de fase 3 ao começar a ser usada. Isso criou dúvidas nas pessoas, resultando em menor aceitação local — disse Subhash Salunkhe, que assessora o governo de Maharashtra sobre a estratégia de vacinação no estado.

No entanto, o ministro da Saúde da Índia, Rajesh Bhushan, atribuiu na terça-feira a menor aplicação da Covaxin à capacidade de produção limitada da Bharat Biotech em comparação com a do Instituto Serum da Índia, o maior produtor mundial de vacinas, que está produzindo a vacina AstraZeneca para países de baixa e média renda.

— Em proporção à quantidade de vacina disponível, a retirada (da Covaxin) é bastante satisfatória — afirmou em entrevista coletiva.

O Ministério da Saúde não respondeu, no entanto, sobre os últimos números que mostram que apenas cerca de 12% das doses solicitadas foram administradas.

Falta de confiança

A Índia tem o segundo maior número de casos de Covid-19 do mundo, depois dos EUA, com aumento detectado recentemente à medida que o uso de máscaras diminui e os estados dreduziram medidas de distanciamento social. A falta de confiança no imunizante desenvolvido localmente pode impedir o país de cumprir sua meta de vacinar 300 milhões de seus 1,35 bilhão de habitantes até agosto.

No início do mês, Chhattisgarh, um estado governado pela oposição com 32 milhões de pessoas, informou ao governo federal que não usaria a Covaxin até que sua eficácia pudesse ser comprovada em um teste ainda em andamento. Epidemiologistas e especialistas em saúde pública também criticaram a aprovação da Covaxin, considerada apressada.

A Bharat Biotech disse que os dados de eficácia do ensaio com cerca de 26 mil voluntários serão divulgados em breve. A empresa, junto com o regulador de medicamentos da Índia, afirma que a vacina é segura e eficaz com base em estudos iniciais e intermediários. A Bharat Biotech não comentou sobre a baixa aplicação da vacina na índia.

A Índia relatou 16.738 novas infecções por coronavírus nas últimas 24 horas, o maior salto diário em um mês, mostraram dados do Ministério da Saúde na quinta-feira, elevando o total para 11,05 milhões. As mortes em todo o país aumentaram em 138, também a maior em um mês, totalizando 156.705.

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