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Monday, September 27, 2021

Supla vive reinvenção virtual: 'Tive que mergulhar na internet, senão ia sumir'

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Fenômeno entre os jovens no Instagram, cantor acumula mais de 440 mil seguidores após se render ao mundo virtual durante a pandemia: ‘A Covid me empurrou para a reinvenção’

Pedro Willmersdorf

06/02/2021 – 16:23

Em 2020, Supla apostou em mais um personagem na sua trajetória, se popularizando nas redes sociais Foto: Divulgação
Em 2020, Supla apostou em mais um personagem na sua trajetória, se popularizando nas redes sociais Foto: Divulgação

Dá para imaginar uma parceria musical entre Supla e Anitta? Esta é uma das milhares de perguntas que o cantor de 54 anos já respondeu durante suas conversas com os fãs no Instagram. Desde março do ano passado, com a eclosão da pandemia, ele decidiu se aventurar pelo universo virtual, reativando seu perfil na rede social e criando também um canal no YouTube.

— A Covid me empurrou para a reinvenção. Tive que mergulhar de cabeça na internet, senão ia sumir. — diz o cantor, hoje com 441 mil seguidores no Instagram, mas sem seguir ninguém — Nunca segui. Estou ali pra conversar com a galera e divulgar conteúdos em que acredito.

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Em entrevista por telefone, antes de ir às compras de uma cadeira gamer para o afilhado, Supla prefere chamar a rede social pelo apelido de “Instagrado”, sem deixar de lado o tom crítico e debochado que faz parte de sua personalidade. E lá ele vem nadando de braçada, divertindo seus fãs pelos Stories, promovendo concursos musicais com premiação em dinheiro, e criando enquetes sobre fatos curiosos de sua vida pessoal e profissional.

Nesta nova fase, o “Papito” tem despertado especial fascínio no público mais jovem — grupo mais ativo nas redes e que não acompanhou a história de Supla como ator e cantor. Já teve até seguidor espantado ao saber que ele é filho do vereador Eduardo Suplicy (PT/SP) e da ex-senadora Marta Suplicy.

— As novas gerações me parecem bem menos preconceituosas, o que facilita o diálogo sempre. Tem um frescor jovial nessas trocas que se relaciona com meu espírito — diz o artista.

Namoradinho do Brasil

Supla e Angélica no filme 'Uma escola atrapalhada' (1990) Foto: Divulgação
Supla e Angélica no filme ‘Uma escola atrapalhada’ (1990) Foto: Divulgação

Muitos destes jovens que até outro dia não sabiam quem eram os pais de Supla também vêm percebendo que o artista já era uma figura viralizável muito antes da explosão das redes sociais. Afinal, Supla já foi muitos personagens. O sujeito boa praça que surgiu com um visual punk agressivo e teve um romance com a cantora alemã Nina Hagen, no Rock in Rio, em 1985, anos depois virou par romântico de Angélica na comédia “Uma escola atrapalhada” (1990), estrelada pelos Trapalhões.

Teve um novo pico de popularidade com o “Piores clipes do mundo”, programa de Marcos Mion, no começo dos anos 2000. E virou uma espécie de namoradinho do Brasil ao protagonizar um romance com Bárbara Paz, há 20 anos, na “Casa dos artistas”. A final do reality show do SBT, disputada pelo casal e vencida por Bárbara, obteve 47 pontos de média no Ibope, com picos de 55.

Barbara Paz e o Oscar

Hoje amigo da atriz e diretora, Supla critica a postura distanciada que o governo federal adotou na campanha do documentário “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou” ao Oscar. O filme dirigido por Bárbara é o representante brasileiro na luta por uma indicação a melhor filme internacional, mas não teve nenhum apoio federal. Com isso, Barbara lançou uma vaquinha virtual para ajudar o financiamento da campanha em busca da vaga na lista final, que sai no dia 9.

— O Mario Frias era ator, né? Não apenas por isso, mas é obrigação da secretaria de Cultura ajudar a Bárbara e o filme em busca do Oscar. Seria importante demais para representar o país lá fora. É desesperador que isso esteja rolando, que nada esteja sendo feito. — diz Supla, que se orgulha de sua carreira calcada na independência. — Nunca pensei em usar Lei Rouanet, sabe? Minha mãe foi ministra da Cultura, bicho. Eu seria perseguido pro resto da vida.

Aliás, por falar em perseguição… Supla também vem tendo que lidar com alguns ônus do mundo virtual, e se mantém crítico a certas dinâmicas das redes, como as selfies, por carregarem um “egocentrismo excessivo”, e o tal cancelamento.

— Lógico que penso nisso, todo mundo está sujeito a falar merda um dia. E ali no meu perfil estou conversando com muita molecada, né? Tenho que ser cuidadoso.

Trauma com ‘realities’

Por enquanto, parece que a barra do cantor continua limpa nos quatro cantos da internet. Mas nem todos têm tido a mesma sorte. É o caso, por exemplo, da cantora Karol Conká, que vem tendo uma polêmica participação no “Big Brother Brasil 21”, acumulando perda de seguidores nas redes e gerando projeções até de prejuízo financeiro a sua carreira.

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— Por ter participado de um reality, confesso que nunca mais assisti. Mas sei o que está rolando com a Karol, vira e mexe aparece algum vídeo ou tweet. Complicado, né? — divaga o cantor — Apesar de algumas pautas relevantes que são discutidas lá dentro e transbordam, acho a dinâmica meio sanguinária. As pessoas aqui fora compram mesmo essas ideias? O artista precisa passar por isso para alcançar o reconhecimento? Eu tive que passar, mas era o primeiro reality do país, há 20 anos.

Enquanto continua confinada no “BBB”, Karol pode ser ouvida na faixa “Sangue vermelho”, presente em “Suplaego”, 17º álbum da carreira de Supla, lançado em novembro. Um dos demais colaboradores do trabalho é o sobrinho do cantor, Theodoro, de 18 anos, que escreveu em parceria com Supla as letras das músicas em português. As demais, em inglês, tiveram a caneta compartilhada com a pianista Victoria Wells.

“Suplaego” talvez seja a prova de que a pandemia que assustou num primeiro momento fez Supla trabalhar bastante, seja lançando seu álbum ou se reinventando nas redes. Nas duas frentes, aliás, contando com a brisa fresca da jovialidade, seja dos fãs ou do sobrinho.

Ah, e sobre Anitta, Supla acredita que se daria muito bem num trabalho com ela, uma vez que os dois são arianos.

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