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Sunday, October 17, 2021

Secretário de Defesa dos EUA defende redução da violência no Afeganistão, mas não dá sinais de retirada militar

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Lloyd Austin declarou que o processo de revisão do acordo assinado no ano passado pelo governo Trump não foi concluído, mas há sinais de que prazo para saída das tropas, em maio, não será cumprido

O Globo e agências internacionais

19/02/2021 – 17:22

Militar afegão patrulha área onde ocorreu atentado a bomba em Cabul, no dia 10 de janeiro Foto: OMAR SOBHANI / REUTERS
Militar afegão patrulha área onde ocorreu atentado a bomba em Cabul, no dia 10 de janeiro Foto: OMAR SOBHANI / REUTERS

WASHINGTON — No mesmo dia em que Joe Biden defendeu a cooperação e a diplomacia para colocar fim a quase 20 anos de guerra no Afeganistão, o secretário de Defesa americano defendeu uma redução imediata na violência no país, mas sem sinalizar redução nas tropas.

— Eu insto a todos os lados para que escolham o caminho em direção à paz. A violência precisa diminuir. Agora — declarou Lloyd Austin, a jornalistas, em Washington.

Ao assumir o cargo, Joe Biden anunciou uma revisão de um acordo assinado no ano passado com o Talibã, prevendo a retirada de todos os 2,5 mil militares americanos em solo afegão caso houvesse um compromisso da milícia em estabelecer conversas com o governo afegão e cortasse os laços com a al-Qaeda.

Contudo, a Casa Branca, apoiada por um relatório do Congresso e amparada pelo Pentágono, questiona o compromisso dos talibãs com o acordo, os acusando de manter uma campanha armada com as autoridades. Por isso, o prazo final para a retirada das tropas, dia 1º de maio, não deve ser cumprido como previa o acordo assinado em Doha no ano passado. 

— Não importa o resultado de nossa revisão, os EUA não vão levar adiante uma retirada brusca ou desordenada do Afeganistão — declarou Austin. Essa visão é compartilhada por diplomatas europeus, que citam ataques recentes, como o que vitimou o vice-governador de Cabul, em dezembro.

Anteriormente, a milícia declarou que iria intensificar sua luta contra as “forças estrangeiras” caso o prazo não fosse cumprido.

— O primeiro lado a ser consultado (sobre a extensão) é o Talibã. É onde o processo tem que começar — declarou o embaixador do Paquistão nos EUA, Asad Majeed Khan, durante um fórum realizado nesta sexta-feira. O país foi um dos patrocinadores do acordo, que não contou com a participação do próprio governo afegão — as conversas bilaterais entre as autoridades locais e o Talibã estão paralisadas há algumas semanas.

Mais cedo, o presidente Joe Biden expressou apoio às negociações, defendendo uma maior presença da Otan, a principal aliança militar do Ocidente, no processo para colocar fim à guerra. Mais do que apoiar a reconstrução do país após décadas de conflito, Biden também leva em consideração o impacto da própria segurança nacional: afinal, a guerra no Afeganistão começou depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, para enfrentar a al-Qaeda, e hoje o país é um dos fronts ainda ativos do grupo autointitulado Estado Islâmico.

— Permanecemos comprometidos em garantir que o Afeganistão jamais seja base para ataques terroristas contra os EUA, nossos parceiros ou interesses — declarou Biden, em discurso na Conferência de Segurança de Munique.

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