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Monday, April 12, 2021

Presidente da Petrobras usa camisa 'Mind the gap' e manda recado em 1ª aparição após anúncio de sua substituição

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Executivo, que será substituído após intervenção de Bolsonaro na estatal, diz a analistas de mercado que ‘combustíveis devem ter preço de mercado’

Bruno Rosa

25/02/2021 – 10:51
/ Atualizado em 25/02/2021 – 11:30

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, durante call com analistas Foto: Reprodução Internet
O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, durante call com analistas Foto: Reprodução Internet

RIO — Em sua primeira aparição pública após o anúncio de que será destituído do cargo, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, se apresentou em uma videoconferência com analistas do mercado usando uma camisa com os dizeres “Mind the gap”. E mandou seu recado: disse que a Petrobras de hoje é melhor do que a de um ano atrás e que os preços dos combustíveis estão abaixo da média global.

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Castello Branco, que está em home office, usou como pano de fundo na videoconferência uma foto do edifício sede da Petrobras, na Avenida Chile. A “call” com analistas na manhã desta quinta-feira era para comentar o lucro recode da empresa, divulgado na véspera. E os dizeres na camisa traziam uma mensagem subliminar.

“’Se o Brasil quiser ser uma economia de mercado tem que ter preço de mercado’”

Roberto Castello Branco

Presidente da Petrobras

A expressão “mind the gap” em inglês, usada nos avisos sonoros do metrô de Londres para alertar os passageiros sobre o vão entre o trem e a plataforma, pode ser traduzida também para “atenção à defasagem”. Em inglês, “gap” é o termo usado para se referir à distância entre dois preços.

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E foi justamente a polêmica sobre a defasagem entre os preços dos combustíveis aqui e no exterior um dos principais motivos para a demissão de Castello Branco. Pressionado pelos caminhoneiros, o presidente Jair Bolsonaro se queixava de os preços do diesel e da gasolina terem subido muito no Brasil este ano — o último reajuste foi na sexta-feira passada, mesmo dia em que o presidente da República anunciou a destituição de Castello Branco.

A frase “Mind the gap” vem sendo repetida por Castello Branco em apresentações ao longo dos últimos dois anos. Na quarta-feira, a estatal apresentou lucro líquido recorde de R$ 59,9 bilhões no quatro trimestre de 2020, com uma política de preços que segue a paridade internacional.

Para Castello Branco, é surpreendente que, em pleno século XXI, o país esteja discutindo os preços dos combustíveis. Segundo ele, o petróleo é uma commodity como outros produtos, que são cotados em dólar e seguem a lei de oferta e demanda global.

— Fugir da regra da paridade de preço de importação, a Petrobras já provou que foi desastrasosa. A Petrobras perdeu US$ 40 bilhões. E tem outro impacto. Reduzimos a dívida em US$ 36 bilhões em dois anos e a empresa ainda é muito endividada. Devemos US$ 75,5 bilhões. Nossa dívida é majoritariamente em dólares e como você vai conciliar obrigações em dólares com receita em reais? Outro efeito perverso do descolamento da paridade dos preços de importação — dissse ele.

Castello Branco frisou que a média dos preços  do Brasil estão abaixo dos preços globais, embora alguns impostos aqui sejam altos, pressionando os valores para cima.

— O preço não é barato nem caro. O preço é o preço de mercado. Se o Brasil quiser ser uma economia de mercado tem que ter preço de mercado. Preços abaixo do mercado geram muitas consequências, algumas previsíveis outras imprevisíveis, mas todas negativas — acrescentou.

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