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Saturday, January 22, 2022

Pix Saque começa hoje: comércio vê nova ferramenta como chamariz para clientes, mas teme por segurança

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Instituições de pagamentos eletrônicos terão de compartilhar informações de transações suspeitas de envolvimento com atividades criminosas para as autoridades de segurança pública.

Controle de fraudes

Golpistas querem ter acesso a uma futura conta Pix da vítima Foto: Reuters
Foto: Reuters

As instituições reguladas pelo BC deverão ter controles adicionais de fraude. O Comitê de Auditoria ou o Conselho de Administração deverão ser avisados, e o BC deverá ter acesso a essas informações.

Histórico de atuação

Mudanças no Pix Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo
Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

As instituições deverão exigir histórico comportamental e de crédito para que empresas possam antecipar recebíveis no mesmo dia.

Mais capilaridade

Os novos recursos são apontados pelo Banco Central como uma forma de dar mais capilaridade às transações, especialmente em pequenas cidades. O presidente da Associação Brasileira de Panificação e Confeitaria (Abip), Paulo Menegueli, vê boas perspectivas nas novas funções, mas ressalta que sua adoção vai depender de região para região:

— O setor de panificação é pulverizado. A gente vê como uma oportunidade muito grande de ajuda para a comunidade. Só precisa ter bem definidas as regras. E precisamos também ter um ganho para prestar esses serviços.

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A adoção das ferramentas será opcional pelas padarias ou lojas. As que aderirem receberão um valor que pode variar de R$ 0,25 até R$ 0,95 por operação. O valor servirá para cobrir os custos de implementação, porque será necessário adaptar os sistemas e treinar os atendentes.

A definição do valor vai depender da negociação com a instituição financeira que faz o serviço do Pix para o estabelecimento. Quem deve arcar com esses custos é o banco ou a instituição financeira da qual é feito o saque.

Ricardo Pinto, proprietário da Ledut Casa de Pães, espera que o Pix Saque atraia clientes Foto: Divulgação
Ricardo Pinto, proprietário da Ledut Casa de Pães, espera que o Pix Saque atraia clientes Foto: Divulgação

O BC estabeleceu que o serviço será gratuito para pessoas físicas e empresários individuais, o que inclui MEIs, que façam até oito saques por mês, incluindo os saques convencionais no caixa eletrônico.

Ou seja, cada pessoa terá direito a oito saques gratuitos por mês, via Pix ou de forma convencional. Após a oitava transação, o banco poderá cobrar uma taxa do cliente. No entanto, a taxa do saque via Pix não pode ser maior que a cobrada pelo banco em saques convencionais

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Já as empresas podem ser cobradas desde a primeira transação no mês, a critério do banco. O BC estabeleceu um limite de R$ 500 para o período diurno e de R$ 100 das 20h às 6h. Os comércios poderão ofertar limites menores caso considerem adequado.

Resistência de pequenos

Ricardo Pinto, proprietário da Ledut Casa de Pães em Vitória, Espírito Santo, se interessa pela ideia:

— Isso certamente atrai clientes para o estabelecimento que tem essa necessidade de dinheiro vivo.

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No entanto, Pinto ainda tem algumas preocupações, como a possível lentidão das filas, que podem se formar eventualmente por clientes que desejam sacar dinheiro no caixa. Para evitar esse problema, o BC deixou na mão dos próprios comerciantes decidir em que momento do dia oferecerão o serviço e quais cédulas poderão ser sacadas.

Gina Remédio Carneiro, proprietária da Pizza na Roça, em Poços de Caldas Foto: Divulgação
Gina Remédio Carneiro, proprietária da Pizza na Roça, em Poços de Caldas Foto: Divulgação

Roberto Longo, vice-presidente jurídico da Associação Paulista de Supermercados (Apas), aponta que os mercados pequenos e médios ainda têm uma resistência em adotar o Pix como meio de pagamento.

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A adaptação dos sistemas do caixa e as taxas praticadas são os maiores entraves. Apesar disso, Longo vê um impacto positivo do Pix Saque e do Pix Troco por diminuir o custo de movimentação do dinheiro. Ele frisa, porém, que há uma preocupação com possíveis roubos e furtos:

— No momento em que você começa a divulgar que está manuseando dinheiro, pode-se levantar a suspeita de se ter muito dinheiro (na loja).

Campanha para bares

No BC, a visão é que, ao permitir que o caixa da loja seja reduzido ao fim do dia, o Pix Saque vai, na verdade, trazer mais segurança para os lojistas. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, compartilha desse entendimento. A associação deve fazer uma campanha para explicar o serviço.

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Gina Remédio Carneiro, dona de dois restaurantes em Poços de Caldas, sul de Minas Gerais, está preocupada com a segurança, após os relatos de golpes utilizando o Pix nos últimos meses. Mas ressalta que a adoção vai depender também da demanda do cliente:

— A maioria do nosso recebimento, mais de 90%, é via cartão. A gente tem pouco dinheiro em caixa, mas não deixa de ser uma medida que pode ajudar o cliente quando ele precisar de um troco, por exemplo, para pagar estacionamento e valet.

Como vão funcionar Pixa Saque e Pix Troco:

Como vai funcionar o Pix Saque?

Ao chegar no caixa de uma loja, o cliente fará um Pix para o estabelecimento. A atendente então pegará o mesmo valor do Pix em dinheiro vivo no caixa e dará ao cliente.

E o Pix Troco?

A transação é bem parecida, mas aqui o cliente faz uma compra e um saque na mesma transação.

Por exemplo: ao pagar por um produto de R$ 100, ele faz um Pix em um valor maior, de R$ 150, e retira a diferença (R$ 50) em espécie. Isso evitaria uma ida ao banco para sacar R$ 50 em caixas eletrônicos.

Em outro exemplo, se comprar um produto de R$ 20, ele faz um Pix de R$30 e recebe uma cédula de R$ 10.

Terá algum custo?

Atualmente, pessoas físicas e empresários individuais — incluindo microempreendedores individuais (MEIs) —têm, no pacote de serviços de seus bancos, direito à gratuidade para os quatro primeiros saques do mês.

Com o Pix Saque serão oito saques gratuitos, contando com os quatro que já eram previstos. Ou seja, cada pessoa terá direito a oito saques gratuitos por mês, via Pix ou de forma convencional, num caixa eletrônico.

Depois dessa oitava transação, o banco poderá cobrar uma taxa do cliente. No entanto, a taxa do saque via Pix não pode ser maior que a cobrada pelo banco em saques convencionais.

Já pessoas jurídicas como as empresas podem ser cobradas desde a primeira transação no mês, a critério do banco.

Há limite de saque?

O BC estabeleceu um limite de R$ 500 para o período diurno e de R$ 100 das 20h às 6h. Os comércios poderão ofertar limites menores caso considerem adequado.

Onde estará disponível?

Qualquer estabelecimento comercial que ofertar o Pix como opção de pagamento poderá oferecer o Pix Saque ou Pix Troco.

As opções também devem estar disponíveis em caixas eletrônicos. Uma pessoa que tenha conta no banco A poderá sacar no caixa eletrônico do banco B via Pix. Esse saque conta como um dos oito gratuitos mensais.

É obrigatório que todo lugar que disponibilize Pix como opção de pagamento tenha Pix Saque?

Não, cada estabelecimento decidirá se oferece ou não o serviço.

O comércio pode ofertar apenas o saque ou apenas o troco?

Sim, o estabelecimento poderá oferecer apenas um ou outro.

O comércio recebe algo para ofertar o serviço?

O Banco Central espera que os comércios que ofertarem o serviço tenham aumento no fluxo de clientes e reduzam seus gastos com a movimentação do dinheiro, por exemplo, com a contratação de carros-forte.

Além disso, quem disponibilizar o serviço receberá uma remuneração que pode variar de R$ 0,25 a R$ 0,95 dependendo do contrato com a instituição financeira parceira.

Como o lojista poderá oferecer essa modalidade?

Ele poderá procurar a instituição financeira que o atende e pedir para aderir. Segundo o BC, basta um ajuste contratual para oferecer o Pix Saque e o Pix Troco.

O comerciante também poderá definir como ofertará o serviço, em que horário ele estará disponível e quais as cédulas poderão ser sacadas em seu estabelecimento.

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