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Tuesday, April 20, 2021

Piscina de plástico é a bola da vez no verão da pandemia e faz sucesso nas redes

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Modelo ganhou ainda espaço em quintais, jardins e varandas graças à sua versatilidade

Eduardo Vanini

11/02/2021 – 03:30

Item foi indispensável no clipe
Item foi indispensável no clipe “Ombrim” do Rosa Neon Foto: Divulgação

Os primeiros minutos do clipe “Ombrim”, da banda Rosa Neon, podem causar “gatilhos” em muita gente, com sua ode ao verão. Estão lá a praia, o sol, a areia, a boa e velha aglomeração que é a cara da estação. Mas, quem prestar atenção verá também uma alternativa refrescante para tempos pandêmicos: a piscina de plástico.

A aparição desse item de um jeito cool no clipe indica o quanto ele anda em alta. Tanto que você certamente já deve ter esbarrado com um exemplar no feed de alguma rede social. “Era indispensável nesse vídeo”, conta Marina Sena, vocalista do grupo, lamentando que ela mesma não tenha a própria piscina. “Lá em casa, só tenho uma mangueira. Antes da pandemia, uma amiga me emprestava a dela, e a gente reunia a minha galera para o banho. Durante o isolamento, quando mais precisava, não me emprestou.”

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Morador de Juazeiro do Norte, no Ceará, o arquiteto Igor Miranda cansou de passar vontade e investiu logo numa piscina de quase 5 mil litros e 3 metros de diâmetro. A deixa foi uma promoção em que topou com o modelo ideal por R$ 799 (“parcelado em suaves prestações”). A praticidade na montagem também contou pontos, já que mora numa casa alugada. “Veio com um filtro para limpar e um jatinho para deixar a água em movimento”, descreve o rapaz, que incrementou a compra com uma boia rosa.

O arquiteto Igor Miranda investiu num modelo de quase 5 mil litros Foto: Igor Miranda
O arquiteto Igor Miranda investiu num modelo de quase 5 mil litros Foto: Igor Miranda

Ao pesquisar sobre o produto, Igor se deparou com uma variedade imensa. Como divide a casa com a cachorrinha Nutella, achou prudente evitar modelos com a borda inflável. Resolvida a questão, levou uma noite e uma manhã até enchê-la e, depois, foi só alegria. “É ótimo para me refrescar quando chego de alguma atividade física. Só jogo uma aguinha no corpo para tirar o suor antes. Às vezes, rola até uma cervejinha.”

Ao que tudo indica, as piscinas são um acessório caro aos brasileiros. Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Mário Saleiro lembra que as tradicionais, de alvenaria, passaram a fazer parte das casas mais abastadas por aqui, na década de 1920. Como tal, logo foram alçadas a sinônimo de prestígio social e objeto de desejo. E essas engrenagens giraram até os modelos de plástico, o que explica a popularidade nas redes, onde a graça é se exibir. “Portá-los na laje, no jardim ou na varanda do apartamento é garantia de status, especialmente em época de pandemia, em que precisamos garantir o isolamento social”, analisa.

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Mário avisa que quem ainda torce o nariz para as piscinas de plástico tem um pensamento antiquado. Uma definição que é plenamente endossada pela atriz Michelle Batista, habituada a dar um “tchibum” na casa do pais, em São Gonçalo. “É um modelo democrático, que atende a muito mais necessidades do que as demais, já que não depende de manutenção”, ressalta a moça, que vira e mexe aparece em fotos “aquáticas” ao lado da irmã gêmea, a também atriz Giselle. “Bobo é quem tem vergonha de mostrar a sua. Sou suburbana e vejo isso com muita naturalidade. A maioria dos brasileiros sequer pode ter as de plástico.”

As irmãs Michelle e Giselle Batista se refrescam na casa dos pais Foto: Divulgação
As irmãs Michelle e Giselle Batista se refrescam na casa dos pais Foto: Divulgação

Quando a pequena Madalena completou 3 anos de vida, em fevereiro do ano passado, sua mãe, a chef Bianca Barbosa, que está à frente do Manda!, organizou uma pool party nas areias do Leme para celebrar. “Comprei três piscinas e montamos tudo por lá. Acabou que choveu no dia, mas as crianças caíram na água mesmo assim”, recorda-se Bianca, mostrando como o sucesso é garantido entre os pequenos.

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Mal sabiam elas que, um mês depois, as tais piscinas ajudariam a aumentar as possibilidades de diversão na quarentena. “Ficamos em casa, sem babá e sem escola. Então, comecei a investir em maneiras de aproveitar a área comum do prédio e levei a piscina. Gostamos muito de atividades com água. É a nossa válvula de escape contra o estresse. Sempre fomos muito à cachoeira e à praia, mas com a pandemia isso mudou.”

Bianca Barbosa e sua filha Madalena e refrescam na área comum do prédio onde moram Foto: Leo Martins / Agência O Globo
Bianca Barbosa e sua filha Madalena e refrescam na área comum do prédio onde moram Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Também foi uma história com o filho que levou a arquiteta e professora da UFRRJ Noêmia de Oliveira Figueiredo a montar uma piscina de 2,5 mil litros no quintal de sua casa, num condomínio em Niterói, ainda que o espaço tenha uma de fibra de vidro, reservada aos moradores. “Ele tinha 7 anos e sofreu uma queimadura com limão na mão. Enquanto se recuperava, tinha muita alergia a cloro. Armamos a nossa para usar uma água livre dessa substância”, recorda-se.

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Isso foi em 2016 e, de lá para cá, o item jamais foi aposentado. Pelo contrário: ganhou uma bomba que filtra a água e uma capa de plástico para evitar a sujeira. “A manutenção é muito simples. Nunca cogitamos ter uma piscina de azulejo ou de fibra porque não queremos perder espaço no gramado nem criar aquela obrigação da limpeza semanal”, conta.

No dia em que conversou com a revista ELA, na sexta-feira retrasada, a arquiteta completava 43 anos, e a sensação térmica beirava os famosos 40º no Rio. Como comemorar? “Vou fazer uns drinques e passar o dia na piscina. A imersão na água faz muito bem. Nesse calorão, já muda o seu dia.”

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