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Wednesday, June 16, 2021

Parceria Público-Privada investirá R$ 1,4 bi em melhorias na iluminação do Rio com lâmpadas de LED

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Município selou uma PPP na gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella que começa a sair do papel. Após testes, Paes bateu o martelo sobre as áreas prioritárias no projeto; entenda

Luã Marinatto e Luiz Ernesto Magalhães

11/02/2021 – 04:30

Breu: Avenida Brasil às escuras, na altura da Estrada do Mendanha, em Campo Grande: via foi recordista de reclamações no ano passado Foto: Roberto Moreyra / Agência O GLOBO
Breu: Avenida Brasil às escuras, na altura da Estrada do Mendanha, em Campo Grande: via foi recordista de reclamações no ano passado Foto: Roberto Moreyra / Agência O GLOBO

RIO — Subir até o fim a Rua Firmino do Amaral depois que o sol se põe é um risco que a corretora de imóveis Ângela Costa, de 56 anos, moradora do Condomínio Canto Alto, na Taquara, que fica no fim da via, corre todos os dias. Mal iluminado, o local é um convite a assaltos. Tudo por conta de um descaso escancarado pelos números do serviço 1746 da prefeitura do Rio, que no ano passado acumulou quase 78 mil reclamações, de lâmpadas apagadas a piscando. Muita queixa, pouco resultado. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que a rua de Ângela, por exemplo, esperou o reparo por quatro anos. O pedido, feito às 2h24 de 1º de janeiro de 2017, parece ter caído no esquecimento e, no início deste ano, constava lá na fila em aberto.

— A última visita foi há dois anos. Mas, depois que foram embora, a lâmpada apagou de novo — reclama Ângela, que mora no bairro há cerca de 20 anos e, junto com os vizinhos, depois de mais de 31 reclamações, instalou duas lâmpadas com fotocélulas sobre o portão do condomínio para amenizar a escuridão.

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Para resolver de vez o drama da iluminação pública no Rio, tão deficiente que leva os cariocas a fazerem uma queixa a cada sete minutos, o município selou uma Parceria Público-Privada na gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella que começa a sair do papel. Após testes, o prefeito Eduardo Paes bateu o martelo sobre as áreas prioritárias no projeto de renovar 450 mil pontos de luz até 2022.

Moradores usam lanternas na Rua Firmino do Amaral, na Taquara: quatro anos à espera de conserto Foto: Roberto Moreyra / Agência O GLOBO
Moradores usam lanternas na Rua Firmino do Amaral, na Taquara: quatro anos à espera de conserto Foto: Roberto Moreyra / Agência O GLOBO

Avenida Brasil na mira

A secretária municipal de Infraestrutura, Katia Marisa Soares da Silva de Souza, explica que as intervenções acontecerão em duas frentes: em comunidades da Zona Oeste com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e altos índices de violência, como Rola e Antares (Santa Cruz), e em importantes corredores de tráfego.

— Estamos com foco na Avenida Brasil e na Linha Vermelha — adianta Katia.

No ano passado, a Avenida Brasil foi a via recordista de reclamações, com 464 ligações para o serviço de atendimento da prefeitura. Campo Grande sofre, com 10% de todas as queixas. Na cidade, quase toda a iluminação pública é em vapor de sódio, que confere tom amarelado às vias públicas. Além disso, o serviço é precário. A expectativa é grande com as lâmpadas em LED, que são brancas e iluminam mais, além de serem econômicas. Boa parte dos equipamentos terá um sistema de autogestão. No caso de defeito ou queima das lâmpadas, técnicos em uma central de controle (a ser implantada na Cidade Nova) serão informados remotamente. A luz original de áreas tombadas, como Aterro do Flamengo, e áreas históricas, como o Centro, além das que têm Rio Cidade, será preservada. As avenidas Ministro Ivan Lins e das Américas (no trecho entre o Jardim Oceânico e o Terminal Alvorada), na Barra, começaram a ter os pontos de luz substituídos na semana passada.

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A PPP também prevê outras novidades, a partir do segundo semestre: a instalação de 10.002 câmeras multifuncionais (parte conta com recursos de videomonitoramento), 5.001 pontos de wi-fi (em escolas e praças) e 3.001 “bueiros inteligentes’’ para áreas sujeitas a enchentes. A meta é informatizar ainda 1.501 sinais de trânsito.

— O wi-fi vai conectar a cidade toda. A prioridade é usar nas praças e empregá-los nas escolas municipais. No caso dos sensores semafóricos, eles serão dotados de inteligência artificial para monitorar o trânsito — antecipa o presidente da RioLuz, Bruno Bierrenbach Bonetti.

CEO do consócio Smart Luz, formado por cinco empresas que vão explorar a concessão da iluminação pública por 20 anos, Carlos Sanchez diz que todo o projeto foi desenvolvido dentro do conceito de cidades inteligentes.

— É a ideia de smart cities, que dá, por exemplo, a possibilidade de se operar serviços com tecnologia 5G (hoje em discussão no país) — afirma o executivo do consórcio, que investirá R$ 1,4 bilhão em dois anos.

Um dos artigos da concessão prevê uma atualização do sistema entre o 13º e o 14º anos. Se à época, houver uma tecnologia mais moderna, os pontos de LED serão substituídos.

Pelas regras da PPP, o consórcio terá duas fontes de receita. À medida que em que a concessionária avançar na modernização dos pontos de luz, ela ganha uma participação cada vez maior nas receitas da Contribuição Social da Iluminação Pública (Cosip), conhecida como taxa de luz pública, recolhida no pagamento das faturas da Light. O acordo prevê a possibilidade de arrecadar até 54,5% da Cosip, que hoje fica em cerca de R$ 320 milhões anuais. Bonetti diz ainda que há ideias em discussão como o uso, no futuro, dos postes para abastecer carros elétricos, por exemplo:

— Em Singapura, onde o grupo instalou tecnologia similar, os postes têm 15 funcionalidades.

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Impossível captar Wi-Fi

A mudança pode ser o fim de uma dor de cabeça. Entre as milhares de queixas de falta de iluminação pública em 2020, mais de 10% (7.907) não foram atendidas até o fim do ano, constando como “em aberto”, “em andamento”, “pendente” ou “sem possibilidade de atendimento”. Embora tenha havido mais reclamações em 2019 (foram 102.403), o percentual de chamados não solucionados praticamente dobrou. Procurada, a Secretaria municipal de Infraestrutura, por meio da RioLuz, informou que “a nova gestão deu início a um modelo operacional que minimiza o total de chamados em espera” para serviços de manutenção. A empresa afirmou ainda que não identificou chamado em aberto da Rua Firmino do Amaral, mas que uma vistoria será feita no local.

No fim de novembro, em campanha para reeleição, o ex-prefeito Crivella deu início a um teste de wi-fi em duas praças. Três meses depois, na Praça Granito, em Anchieta, onde O GLOBO esteve, era impossível captar o sinal em vários pontos. Até os moradores se surpreenderam ao saber que o recurso estava disponível:

— Até ouvi que a prefeitura instalaria wi-fi. Mas não sabia que um dos pontos era aqui — diz o professor de educação física, Wallace Félix, de 39 anos, que dá aulas para idosos no local.

Com mais sorte, Brás de Pina tem sinal forte. Para usar o serviço, basta preencher um cadastro da prefeitura, indicando nome, e-mail e CPF.

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