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Saturday, January 22, 2022

Onda do metaverso impulsiona a compra de imóveis virtuais

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Na última semana, foram vendidos terrenos avaliados em mais de US$ 100 milhões

AFP

05/12/2021 – 09:26 / Atualizado em 05/12/2021 – 09:33

No metaverso, fronteira entre o físico e o digital é interrompida Foto: Reprodução/Facebook
No metaverso, fronteira entre o físico e o digital é interrompida Foto: Reprodução/Facebook

NOVA YORK — A ideia de gastar milhões em terras que só existem na internet pode parecer inusitada, mas a fúria desencadeada pelo metaverso, um futuro da realidade virtual, está incentivando alguns investidores a comprar imóveis digitais.

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Esta semana, a empresa Republic Realm, sediada em Nova York, anunciou um acordo de US $ 4,3 milhões para comprar terrenos digitais no The Sandbox, um dos vários sites de “mundo virtual” onde as pessoas podem se socializar, jogar ou ir a shows.

No final de novembro, a empresa canadense de criptomoedas Tokens.com adquiriu um terreno na plataforma rival Decentraland por US $ 2,4 milhões. Dias antes, Barbados havia anunciado um plano para abrir uma “embaixada do metaverso” em Decentraland.

Esses tipos de portais são promovidos como protótipos do metaverso, uma tecnologia que permite que as experiências on-line atuais, como conversar com um amigo, possam ser feitas cara a cara graças a dispositivos de realidade virtual.

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A palavra “metaverso” está em voga no Vale do Silício há meses, mas o interesse se multiplicou em outubro, quando a empresa-mãe do Facebook se renomeou como “Meta” em sua estratégia de apostar na realidade virtual.

Para a consultora de tecnologia Cathy Hackl, que aconselha empresas a entrar no metaverso, a mudança de nome no Facebook introduziu o termo “metaverso” a milhões de pessoas muito mais rápido do que se poderia imaginar.

O site de dados Dapp informa que, na última semana, foram vendidos terrenos virtuais avaliados em mais de US$ 100 milhões nos quatro principais sites do metaverso: The Sandbox, Decentraland, CryptoVoxels e Somnium Space.

Hackl  não se surpreende com esse boom, que é acompanhado pelo desenvolvimento de todo um ecossistema imobiliário digital, de incorporadoras a locadoras.

—Tentamos transferir a forma como entendemos os bens físicos para o mundo virtual — diz ela à agência de notícias AFP.

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E embora leve algum tempo para que esses sites operem como verdadeiros metaversos, seu terreno digital já funciona como um ativo da vida real.

— Você pode construir com base nele, pode alugá-lo e pode vendê-lo — complementa Hackl.

‘A quinta avenida’

A Tokens.com comprou um pacote no bairro da Fashion Street de Decentraland, que a plataforma quer promover como sede de lojas virtuais de marcas de luxo.

— Se eu não tivesse pesquisado e entendido que esta é uma propriedade valiosa, isso pareceria absolutamente insano — admite o CEO da Tokens.com, Andrew Kiguel.

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Para ele, que passou 20 anos no mercado de investimento com foco no imobiliário, a operação da Decentraland rege-se pelos mesmos critérios da vida real: é um espaço moderno e movimentado.

— É um espaço de publicidade e eventos onde as pessoas vão se reunir — disse, tomando como exemplo um recente festival de música naquela plataforma que atraiu 50 mil espectadores.

Marcas de luxo estão começando a entrar nesse mundo paralelo: uma bolsa Gucci virtual foi vendida na plataforma Roblox em maio por um preço mais alto que a versão real.

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Kiguel espera que a Fashion Street se transforme em uma espécie de Quinta Avenida em Nova York. Seu terreno pode lhe render dinheiro como espaço publicitário ou até mesmo “tendo uma loja com um funcionário de verdade”, explica.

— Você pode entrar com seu avatar e ter representações digitais em 3D de um sapato que você pode segurar e fazer perguntas ao balconista — diz ele.

Em 2006, uma incorporadora imobiliária ganhou as manchetes depois de ganhar um milhão de dólares com terrenos virtuais vendidos no famoso Second Life. Mas há uma diferença fundamental entre essa plataforma ainda ativa e as da nova geração.

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Na Decentraland, tudo, desde terrenos a obras de arte virtuais, vem na forma de tokens criptográficos (NFTs). Algumas pessoas gastaram dezenas de milhares de dólares nesses itens digitais que geraram ceticismo e entusiasmo.

Kiguel prevê que essa forma de propriedade digital será muito difundida nos próximos anos, pois a tecnologia “blockchain” por trás dela cria confiança e transparência na hora de realizar transações.

— Posso ver o histórico de propriedade, quanto foi pago e como foi transferido. Tudo parece um pouco absurdo, mas há uma visão por trás — diz Kiguel.

Mas não é um investimento sem risco, principalmente pela volatilidade das criptomoedas usadas para comprar NFT e porque o valor desses investimentos depende do número de usuários dessas plataformas, por enquanto longe do Facebook ou Instagram.

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