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Tuesday, April 20, 2021

Nova variante da Covid-19 está se espalhando em Nova York, dizem pesquisadores

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Mutação preocupa pois pode ajudar o vírus a ‘driblar’ o sistema imunológico, aponta levantamentos independentes da Universidade Columbia e do Caltech

Apoorva Mandavilli, do New York Times

25/02/2021 – 14:14

Novas variantes do coronavírus encontrados em Nova York tem mutações com as econtradas no Brasil e África do Sul Foto: SPENCER PLATT / AFP
Novas variantes do coronavírus encontrados em Nova York tem mutações com as econtradas no Brasil e África do Sul Foto: SPENCER PLATT / AFP

NOVA YORK — Uma nova cepa do novo coronavírus está se espalhando rapidamente na cidade de Nova York e pode, segundo especialistas das duas costas dos EUA, diminuir a eficácia das vacinas contra a Covid-19.

A nova variante, denominada B.1.526, apareceu pela primeira vez em amostras coletadas na maior metrópole americana em novembro. Em meados deste mês, já era responsável por cerca de uma em cada quatro sequências virais que apareciam no banco de dados compartilhado pelos cientistas. Um estudo da nova variante, liderado por um grupo do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), foi postado online na terça-feira. O outro, de pesquisadores da Universidade Columbia, foi publicado na manhã de quinta-feira.

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Os estudos ainda não foram examinados em revisão por pares nem publicados em jornalis científicos. Mas os resultados consistentes sugerem que a propagação da variante é real, dizem os especialistas. 

— Não são notícias particularmente boas — disse Michel Nussenzweig, imunologista da Universidade Rockefeller que não estava envolvido na nova pesquisa. — Mas ter conhecimento do problema é bom porque talvez possamos fazer algo a respeito.

Nussenzweig disse estar mais preocupado com a variante em Nova York do que com aquela que está se espalhando rapidamente na Califórnia. Outra variante contagiosa, por sua vez, a britânica, já é responsável por cerca de 2.000 casos em 45 estados americanos. Espera-se que se torne a forma mais prevalente do coronavírus nos EUA até o fim de março.

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Os pesquisadores têm examinado o material genético do vírus para ver como ele pode estar mudando. Eles examinam sequências genéticas de vírus retiradas de uma pequena proporção de pessoas infectadas para mapear o surgimento de novas versões.

Os pesquisadores do Caltech descobriram o aumento do B.1.526 ao escanear mutações em centenas de milhares de sequências genéticas virais em um banco de dados chamado GISAID.

— Havia um padrão recorrente e detectamos a variante em um grupo de pessoas em isolamento concentrados na região de Nova York, algo que eu não tinha visto antes — disse Anthony West, biólogo computacional da Caltech.

Mutação do Brasil

Ele e seus colegas descobriram duas versões do coronavírus aumentando em frequência: uma com a mutação E484K observada na África do Sul e no Brasil, que parece ajudar o vírus a se esquivar parcialmente das vacinas; e outro com uma mutação chamada S477N, que pode afetar o quão firmemente o vírus se liga às células humanas.

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Em meados de fevereiro, os dois juntos respondiam por cerca de 27% das sequências virais da cidade de Nova York, disse West. (Por enquanto, ambos estão agrupados como B.1.526.)

Os pesquisadores da Columbia adotaram uma abordagem diferente. Eles sequenciaram 1.142 amostras de pacientes em seu centro médico. E descobriram que 12% das pessoas com o coronavírus haviam sido infectadas com a variante que contém a mutação E484K.

A equipe também identificou seis casos da variante britânica, duas infecções com a cepa identificada no Brasil e um caso da variante da África do Sul. Os dois últimos não haviam sido relatados na cidade de Nova York anteriormente.

Os pesquisadores alertaram as autoridades no estado de Nova York e na cidade, bem como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e planejam sequenciar cerca de 100 amostras genéticas virais por dia para monitorar o aumento das variantes.

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A mutação E484K surgiu independentemente em muitas partes diferentes do mundo, uma indicação de que oferece ao vírus uma vantagem significativa.

— As variantes vão aumentar muito rapidamente em frequência em um momento em que os números (de infecção no planeta, mas não no Brasil) estão diminuindo — disse Andrew Read, microbiologista evolucionista da Penn State University.

Vários estudos mostraram agora que as variantes contendo a mutação E484K são menos suscetíveis às vacinas do que a forma original do vírus. A mutação interfere na atividade de uma classe de anticorpos que quase todas as pessoas produzem, informa Nussenzweig.

— As pessoas que se recuperaram do coronavírus ou que foram vacinadas têm grande probabilidade de combater essa variante, não há dúvida disso — diz ele. — Mas ainda podem ficar doentes com ela.

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