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Não há provas da presença do novo coronavírus em Wuhan antes de dezembro de 2019, afirma OMS

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Cientistas da Organização Mundial da Saúde, em missão na China para investigar origem da pandemia, apontaram que vírus pode ter sido transmitido de um animal para humano; há também a hipótese da transmissão por alimentos congelados

O Globo e agências internacionais

09/02/2021 – 09:40
/ Atualizado em 09/02/2021 – 10:33

Peter Ben Embarek, coordenador da equipe de pesquisadores da OMS na China para investigar origem da pandemia Foto: ALY SONG / REUTERS
Peter Ben Embarek, coordenador da equipe de pesquisadores da OMS na China para investigar origem da pandemia Foto: ALY SONG / REUTERS

WUHAN — Especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmaram nesta terça-feira que não há evidências suficientes que indiquem que o novo coronavírus, o Sars-CoV-2, já estava se disseminando em Wuhan, na China, antes de dezembro de 2019, quando foram identificados os primeiros casos na cidade. A metrópole de 11 milhões de habitantes viveu o primeiro surto conhecido da Covid-19. A equipe da organização está na região junto com pesquisadores chineses para investigar a origem da pandemia. 

— Não há indicação da transmissão do Sars-CoV-2 [vírus que causa a Covid-19] na população no período anterior a dezembro de 2019 — disse Liang Wannian, chefe da equipe da China, acrescentando que “não há evidências suficientes” para determinar se o vírus já havia se espalhado na cidade antes disso.

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Os primeiros casos da Covid-19 foram registrados na cidade chinesa no fim de 2019. Desde então, mais 106 milhões de casos foram registrados no mundo, com mais de 2,3 milhões de mortos pela doença.

Porém, mesmo após um ano do início da pandemia, ainda há muitas dúvidas a respeito da origem do novo coronavírus. Na primeira coletiva da missão da OMS na China, o coordenador da equipe, o dinamarquês Peter Ben Embarek, afirmou que a hipótese mais provável para o início da pandemia é da transmissão do vírus através de um animal intermediário. No entanto, o pesquisador admitiu que a teoria precisa de “investigações mais específicas e precisas”.

Os especialistas também afirmaram que ainda não foi possível identificar a espécie animal que transmitiu o vírus ao homem.

Além disso, os especialistas rebateram a teoria de que o vírus da Covid-19 teria sido gerado em um laboratório de alta segurança de Wuhan. Segundo eles, essa hipótese é “extremamente improvável”.

— A hipótese de um acidente em um laboratório é extremamente improvável para explicar a introdução do vírus no homem — disse Ben Embarek, que acrescentou: — Na verdade, não faz parte das hipóteses que sugerimos para estudos futuros.

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Essa teoria havia sido endossada pelo ex-presidente Donald Trump, que acusava a China de ser a responsável pela pandemia. 

Outra hipótese apontada por Ben Embarek é a possibilidade da transmissão do vírus por “cadeia de frio”, isto é, por transporte e comércio de alimentos congelados. Essa ideia foi defendida pela China, que anunciou repetidamente a descoberta de vestígios de coronavírus em embalagens de alimentos importados. Segundo o pesquisador, no entanto, essa hipótese precisa ser investigada mais profundamente, disse o especialista.

— Sabemos que o vírus pode sobreviver em condições encontradas nesses ambientes frios e congelados, mas não entendemos realmente se o vírus pode se transmitir aos humanos dessa forma ou em que condições — explicou.

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Ben Embarek afirmou ainda que as investigações sobre a origem do vírus apontam para um reservatório natural em morcegos, mas disse que é improvável que eles estivessem em Wuhan. 

A missão da OMS é considerada extremamente importante para a luta contra epidemias futuras, mas teve dificuldades para acontecer porque a China relutou em permitir a entrada no país de especialistas internacionais de diferentes áreas, que incluíram, entre outras, epidemiologia e zoologia. A organização internacional já havia alertado que seria necessário ter muita paciência para encontrar respostas.

A equipe chegou a Wuhan em 14 de janeiro e, após duas semanas de quarentena, visitou locais importantes, incluindo o mercado de frutos do mar de Huanan, o local onde se manifestaram as primeiras infecções conhecidas da doença, e o Instituto de Virologia de Wuhan.

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