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Friday, June 18, 2021

Mortes no Jacarezinho: Presos dizem que foram obrigados pela polícia a levar corpos para o caveirão

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Defensora diz que relatos feitos em audiência de custódia comprovam que cena do crime foi desfeita

Vera Araújo

08/05/2021 – 20:13
/ Atualizado em 08/05/2021 – 21:26

Jacarezinho: Marcas de tiro por toda parte Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo
Jacarezinho: Marcas de tiro por toda parte Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

RIO — No fim da tarde deste sábado, quatro dos seis presos na Operação do Jacarezinho, ouvidos em audiência de custódia, contaram que foram obrigados “a carregar corpos para o caveirão”. Segundo a coordenadora do Núcleo de Audiências de Custódia da Defensoria Pública, Mariana Castro, os acusados afirmaram que nenhum deles estava vivo, o que comprova que a cena de crime foi desfeita. Ela contou também que os presos relataram que foram agredidos com socos e chutes e que só não morreram porque foram detidos na presença de familiares. A Justiça manteve a prisão dos seis suspeitos.

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— O fato de carregarem corpos para o caveirão configura tortura psicólógica. Não consta que nenhum dos presos ouvidos portava arma. Dos quatro defendidos pela Defensoria Pública, três tinham mandados de prisão contra eles. Em alguns casos, a polícia informou que havia entorpecentes em seu poder, no entanto, o material não foi lacrado, como determina a lei. Houve uma quebra na cadeia de custódia — argumenta a defensora pública Mariana Castro.

Segundo ela, os próprios peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) deixaram claro em seus laudos que não havia lacre no material.

— Foram entregues sacos plásticos com entorpecentes sem qualquer tipo de identificação e sem lacres. Outra coisa que chamou atenção foi que, no momento do exame de corpo de delito, policiais que efetuaram as prisões não saíram da sala, o que fez com que eles não contassem os detalhes sobre as agressões.

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A Defesoria Pública vai definir qual a estratégia de defesa que irá adotar.

— Na minha carreira nunca vi tantas violações de direitos humanos de grau tão elevado. Os presos fizeram relatos de horror.

Procurada, a Secretaria de Estado de Polícia Civil informa, em nota, que “a versão dos criminosos presos será apurada na investigação”.

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