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Sunday, December 5, 2021

Morre Chick Corea, pianista e um dos maiores nomes do jazz

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Músico que ajudou a fundar o fusion com Miles Davis sucumbiu aos 79 anos a um câncer descoberto recentemente

O Globo

11/02/2021 – 18:44
/ Atualizado em 11/02/2021 – 19:33

O pianista Chick Corea Foto: Divulgação
O pianista Chick Corea Foto: Divulgação

RIO – Um dos maiores pianistas de todos os tempos do jazz, o americano Chick Corea morreu na terça-feira de um câncer recentemente descoberto, informou esta quinta a família nas páginas do músico em redes sociais. Tecladista, líder de banda e percussionista ocasional, ele compôs temas como “Spain”, “500 miles high”, “La fiesta”, “Armando’s rhumba” e “Windows” que acabaram reconhecidos como standards do  jazz.

Como membro da banda do trompetista Miles Davis no final dos anos 1960, Chick Corea participou do nascimento do jazz fusion, a vertente elétrica do jazz. Na década de 1970, ele formouo grupo Return to Forever com os brasileiros Flora Purim e Airto Moreira, mais  o baixista Stanley Clarke e o saxofonista Joe Farrell. Corea é considerado uma das principais vozes de piano a emergir no jazz durante a era pós-John Coltrane.

Nascido Armando Anthony Corea em 1941 em Chelsea, Massachusetts, Chick Corea foi apresentado ao piano aos quatro anos de idade pelo pai, um trompetista. Imerso no jazz em casa, ele ouviu os pianistas Horace Silver e Bud Powell, que foram as primeiras influências. Corea começou a tocar jazz ainda adolescente e, após o colegial, estudou na Columbia University e na Juilliard, antes de seguir sua carreira no jazz.

Depois de tocar nas bandas de Mongo Santamaria, Willie Bobo, Blue Mitchell, Herbie Mann e Stan Getz, o pianista fez sua estréia na gravação como líder de banda com o LP “Tones for Joan’s Bones”, de 1966. Depois de um curto período com Sarah Vaughan, Corea se juntou a Miles Davis como futuro substituto de Herbie Hancock e foi persuadido pelo trompetista a começar a tocar piano elétrico, com o qual participou de álbuns importantes para a criação do fusion, como “Filles de Kilimanjaro”, “In a silent way” e “Bitches Brew”.Ao deixar a banda de Davis, Corea escolheu inicialmente tocar jazz acústico de vanguarda no Circle, um quarteto com Anthony Braxton, Dave Holland e Barry Altschul.

Mas no final de 1971, ele voltou ao fusion com o grupo Return to Forever, que começou mais latino e depois caminhou para o rock e o uso de sintetizadores, embora ainda retivesse as improvisações do jazz. Quando o RTF se separou no final dos anos 70, Corea manteve o nome para alguns encontros de big band com o baixista Stanley Clarke.

Noa anos seguintes, Chick Corea manteve seus projetos acústicos e apareceu em uma ampla variedade de contextos, incluindo turnês separadas em dueto com o vibrafonista Gary Burton e Herbie Hancock, um quarteto com o saxofonista Michael Brecker, trios com o baixsta Miroslav Vitous e o baterista Roy Haynes, tributos ao pianista Thelonious Monk e até mesmo alguma música clássica.

Em 1985, Corea formou um novo grupo de fusion, The Elektric Band, com o baixista John Patitucci e o baterista Dave Weckl. Para equilibrar, ele também formou uma banda acústica com os mesmos Patitucci e Weckl alguns anos depois.

Chick Corea foi indicada pela primeira vez ao Grammy em 1973: melhor arranjo instrumental por “Spain” e melhor performance de jazz com um grupo por “Light as a feather”, álbum do Return to Forever. Ele ganhou 23 prêmios em 67 indicações – incluindo duas neste ano, para melhor solo de jazz improvisado (“All blues”) e melhor álbum instrumental de jazz (“Trilogy 2”). Os 23 Grammys de Corea o colocaram em oitavo lugar na lista de vencedores de todos os tempos e em sexto lugar entre os artistas homens.

Cientologista

Provavelmente o cientologista de maior visibilidade no mundo da música (assim como Tom Cruise o é no cinema), Chick Corea lançou em 2013 o álbum “The Vigil”, no qual mencionou ideias de L. Ron Hubbard, o criador da doutrina. No ano seguinte, quando veio ao Brasil tocar o disco com sua banda, ele disse ao GLOBO:

“Hubbard é um grande humanitário, e alguém que continua a me inspirar. Ele é parte da minha vida desse ponto de vista. Mas, no disco, não se trata de incorporar ideias. É aprendizado e inspiração. É como ser inspirado por John Coltrane na música. L. Ron Hubbard deu ao mundo uma abundância de ideias práticas de como melhorar a vida, e eu uso tantas quanto posso.”

Inspiração para brasileiro

Entre os artistas que lamentaram a morte de Chick Corea, está uma das grandes revelações brasileira da música instrumental brasileira dos anos 2010, o pianista Amaro Freitas, menino pobre da periferia de Recife que resolveu tocar jazz depois de ver um DVD do americano. 

Amaro escreveu no Instagram: “É com grande pesar que recebo a notícia do falecimento do Chick Corea. Ele foi a razão pela qual eu entrei na música instrumental, seus discos me fizeram sonhar e acreditar que um dia eu viveria de música. Mestre sagrado obrigado por tanto, suas músicas nosso encontro e seus ensinamentos sempre estarão em minha memória, meu herói o maior de todos hoje vivo seu luto e sua chegada a uma nova dimensão.”

Em nota, a família de Chick Corea informou:

“É com grande tristeza que anunciamos que no dia 9 de fevereiro, Chick Corea faleceu, aos 79 anos, de uma forma rara de câncer que só foi descoberta muito recentemente.

Ao longo de sua vida e carreira, Chick desfrutou da liberdade e da diversão de criar algo novo e de jogar os jogos que os artistas fazem.

Ele era um marido, pai e avô amado, e um grande mentor e amigo de muitos. Através de seu trabalho e das décadas que passou viajando pelo mundo, ele tocou e inspirou a vida de milhões.

Embora ele fosse o primeiro a dizer que sua música dizia mais do que as palavras jamais poderiam, ele tinha esta mensagem para todos aqueles que conhecia e amava, e para todos aqueles que o amavam:

‘Quero agradecer a todos aqueles ao longo da minha jornada que ajudaram a manter o fogo da música aceso. É minha esperança que aqueles que têm a idéia de tocar, escrever, atuar ou de outra forma, o façam. Se não for por você, então pelo resto de nós. O mundo não precisa apenas de mais artistas, mas também de muita diversão.

E para meus incríveis amigos músicos, que são minha família desde que eu os conheço: foi uma bênção e uma honra aprender e tocar com todos vocês. Minha missão sempre foi levar a alegria de criar em qualquer lugar que eu pudesse, e ter feito isso com todos os artistas que eu tanto admiro – esta tem sido a riqueza da minha vida.’

A família de Chick certamente apreciará sua privacidade durante este momento difícil de perda.”

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