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Sunday, April 11, 2021

'Mind the gap': presidente da Petrobras manda recado a Bolsonaro. Defasagem do diesel está em 7%

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Apesar dos últimos reajustes de preços, valor praticado no Brasil está abaixo da paridade internacional

Carolina Nalin e Bruno Rosa

25/02/2021 – 10:59
/ Atualizado em 25/02/2021 – 11:31

Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em reunião com analistas do mercado dá recado a Bolsonaro: 'Mind the gap' Foto: Reprodução
Presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, em reunião com analistas do mercado dá recado a Bolsonaro: ‘Mind the gap’ Foto: Reprodução

RIO – Em sua primeira aparição pública desde que o presidente Jair Bolsonato anunciou que iria destituí-lo do comando da Petrobras, o executivo Roberto Castello Branco mandou um recado. Em conferência com analistas do mercado financeiro para comentar o lucro recorde da empresa no quarto trimestre, Castello Branco, que está em ‘home office’, usou uma camisa com os famosos dizeres “mind the gap”.

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A expressão em inglês, usada nos avisos sonoros do metrô de Londres para alertar os passageiros sobre o vão entre o trem e a plataforma, pode ser traduzida também para “atenção à defasagem”. Em inglês, “gap” é o termo usado para se referir à distância entre dois preços.

E foi justamente a polêmica sobre a defasagem entre os preços dos combustíveis aqui e no exterior um dos principais motivos para a demissão de Castello Branco.

Pressionado pelos caminhoneiros, Bolsonaro se queixava de os preços do diesel e da gasolina terem subido muito no Brasil este ano – o último reajuste foi na sexta-feira passada, mesmo dia em que o presidente da República anunciou a destituição de Castello Branco.

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Mas, apesar dos sete reajustes aplicados pela Petrobras este ano  – quatro no preço da gasolina e três no do diesel -, os combustíveis ainda acumulam defasagem de 6% e 7% em relação aos valores praticados no mercado internacional, respectivamente.

O cálculo das defasagens é dos consultores Adriano Pires e Pedro Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Segundo Pires, boa parte da pressão vem dos preços do petróleo. Nesta quarta, os contratos futuros do Brent para abril, referência para a Petrobras, fecharam em alta de 2,55%, aos US$ 67,04 o barril. É o maior nível desde janeiro do ano passado.

Posto de Gasolina em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo
Posto de Gasolina em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo

Com a alta do preço internacional do petróleo, o receio do mercado é de que essa defasagem se amplie no curto prazo, diante da troca de comando da Petrobras. A tendência, segundo os consultores, é de que o preço do barril aumente ao longo do ano.

Por isso, a defasagem pode seguir acompanhando a estatal ao longo de 2021, a depender da política de preços adotada pelo general Joaquim Silva e Luna.

— Pelo lado da oferta, a Arábia Saudita cortou em fevereiro e março 1 milhão de barris de produção, pressionando o preço para cima. Do outro lado, o avanço da vacinação tende a aumentar a demanda por petróleo — explica Rodrigues.

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O economista Edmar Almeida, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a defasagem da gasolina em relação ao preço de paridade de importação (PPI) tem relação com a desvalorização cambial e o preço do petróleo e seus derivados.

— O investidor está olhando com muita atenção para isso, sendo que nós já estamos com uma defasagem. O governo está colocando o Luna e pediu previsibilidade e transparência nesse processo de precificação do petróleo — diz.

Ele continua:

— Temos que ver o que significa isso e que resposta ele dará. Mas eu acredito que dá para buscar uma fórmula que tenha mais previsibilidade e transparência e que permita que a Petrobras permaneça em alinhamento com os preços dos combustíveis.

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