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Tuesday, April 20, 2021

Mesmo com a pandemia, gastos militares no mundo voltaram a subir em 2020

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Alta de 3,9% foi menor do que a de 2019, mas reflete preocupações estratégicas e reação a ameaças regionais

O Globo e agências internacionais

25/02/2021 – 14:28

Militares americanos fazem patrulha na província síria de Hasakah Foto: DELIL SOULEIMAN / AFP
Militares americanos fazem patrulha na província síria de Hasakah Foto: DELIL SOULEIMAN / AFP

LONDRES — Nem mesmo a queda estimada de 4,2% no PIB global, segundo projeções da OCDE, foi capaz de interromper a alta nos gastos militares pelo mundo em 2020, de acordo com relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), baseado em Londres.

O documento aponta alta de 3,9% nos gastos em relação a 2019, somando US$ 1,83 trilhão no ano passado, marcando o terceiro ano consecutivo de alta, e confirmando que apesar das restrições impostas pela pandemia, como os lockdowns e queda de arrecadação, os orçamentos militares se mantiveram estáveis. Proporcionalmente, o setor de Defesa respondeu por 2,08% do PIB global, acima dos 1,83% vistos em 2019. No ano passado, o relatório apontou que o mundo teve a maior alta de gastos em mais de uma década.

E justamente as duas maiores forças militares do planeta responderam por dois terços dessa elevação de gastos. Os EUA viram seu orçamento de Defesa aumentar 6,3% em relação ao ano anterior, somando US$ 738 bilhões, enquanto a China teve aumento de 5,2%, menor do que os 5,9% em 2019, chegando a US$ 193 bilhões.

De acordo com os números do IISS, 41,4% dos gastos globais com Defesa ocorreram na América do Norte, seguidos pela Ásia, com 25%, Europa, com 17,1%, Oriente Médio e Norte da África, 8,9%, Rússia e Eurásia, 3,8%, América Latina e Caribe, 2,9%, e, por fim, 0,9% na África Subsaariana.

Projeção de força

Apesar de muitos países terem reorientado seus gastos por conta da pandemia, colocando verbas inicialmente destacadas para a Defesa em ações de combate ao novo coronavírus, outros ampliaram seus gastos. Seja como forma de projetar força em suas áreas fronteiriças e águas territoriais, como fez a China, modernização de arsenais, como a Rússia, ou a percepção de que não é momento de ignorar ameaças, como a Europa.

O continente elevou seus gastos em 2%, mesmo diante de fortes recessões nas maiores economias da região: para o IISS, é um reflexo da visão comum de que a Rússia é uma ameaça cada vez maior e da ideia de que os EUA continuarão a deixar de lado, aos poucos, seu papel na Otan e na segurança regional.

“É improvável que os objetivos de Washington mudem com um novo governo, mesmo que haja uma mudança de tom e um desejo dos EUA e das capitais europeias para restaurar relações. Afinal de contas, essa visão começou muito antes de Trump chegar ao poder”, declara o relatório.

Segundo o documento, a Rússia, apesar da crise econômica, manteve o programa de modernização de suas armas, como o desenvolvimento de mísseis hipersônicos e aeronaves de quinta geração, muito embora venha encontrando dificuldades no processo.

No caso chinês, o relatório aponta que os gastos têm relação com a estratégia do país de manter a primazia nas águas que considera serem parte de seu território. O aumento da presença militar em áreas como o Mar do Sul da China, além da modernização de sua frota naval e aérea, querem impedir eventuais agressões e rebater as missões dos EUA na região, vistas como atos de provocação.

Apesar do aumento, mesmo em um ano de pandemia, o IISS vê que a tendência é de queda nos orçamentos militares como um todo. A própria redução do ritmo de crescimento militar na China e a redução nos gastos no Oriente Médio são vistos como sinais claros dessa tendência. O relatório vê ainda um possível impacto fiscal das medidas de estímulo adotadas durante a pandemia, que levaria a cortes em setores como a Defesa já a partir de 2022.

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