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Wednesday, August 4, 2021

Maioria dos americanos defende condenação de Trump em segundo processo de impeachment, dizem pesquisas

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Sondagens mostram que mais de 50% dos entrevistados querem que ex-presidente seja considerado culpado por incitar violência e encorajar ataque ao Capitólio; no entanto, dificilmente opinião pública influenciará julgamento, apontam especialistas 

Camila Zarur

10/02/2021 – 15:26
/ Atualizado em 10/02/2021 – 15:30

Donald Trump, no balcão da Casa Branca, logo após retornar à sua residência depois de recebeu alta do hospital ao ter a Covid-19 Foto: NICHOLAS KAMM / AFP 5-10-20
Donald Trump, no balcão da Casa Branca, logo após retornar à sua residência depois de recebeu alta do hospital ao ter a Covid-19 Foto: NICHOLAS KAMM / AFP 5-10-20

RIO — Uma estreita maioria de americanos é favorável à condenação do ex-presidente americano Donald Trump em seu segundo processo de impeachment. É o que mostram pesquisas de opinião recentes, cujo percentual daqueles que querem o impedimento do ex-chefe da Casa Branca passa dos 50%. Esse é um cenário diferente do enfrentado pelo republicano na primeira vez em que foi a julgamento no Senado, no início de 2020. Na época, o número de entrevistados favoráveis ao impeachment era de 47%, segundo a média de pesquisas feita pelo site Five Thirty Eight.

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A diferença se deve às distintas acusações contra Trump. Desta vez, o ex-presidente é acusado de “incitação à insurreição” por ter insuflado seus apoiadores a invadirem o Congresso americano para impedir a confirmação da vitória de Joe Biden nas eleições. O ataque ao Capitólio, no dia 6 de janeiro, resultou na morte de cinco pessoas e obrigou parlamentares a evacuarem o plenário, interrompendo a sessão conjunta da Câmara e do Senado que confirmaria os votos do Colégio Eleitoral.  Essa era a última etapa de uma eleição que foi insistentemente chamada por Trump de “fraudulenta”, embora as mais de 60 ações que ele e seus aliados iniciaram na Justiça contra o pleito fossem rejeitadas por falta de fundamentos. 

As imagens da invasão, que chocou o país, foram mostradas em um vídeo de 13 minutos no primeiro dia do julgamento do impeachment de Trump. Nelas, é possível ver o então presidente incitando seus apoiadores a marcharem até o Capitólio para interromper o fim do processo eleitoral. Em seguida, aparecem os invasores rompendo as barreiras de contenção e entrando no Congresso, carregando bandeiras e símbolos pró-Trump. O vídeo também mostra senadores e deputados se refugiando do ataque.

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As imagens usadas como prova contra Trump mostram uma situação bem diferente daquela relacionada ao primeiro impeachment do republicano. Na ocasião, ele era acusado de abuso de poder por pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar Biden e o filho dele, Hunter, que tinha envolvimento com uma empresa do país europeu. Biden, na época, era pré-candidato democrata à Casa Branca.

— É uma questão de fatos diferentes, circunstâncias diferentes. Ligar para um presidente estrangeiro é uma coisa, incitar uma revolta contra o Congresso é outra. E a população vê com muito mais seriedade este último — dise ao GLOBO  David Schultz, cientista político e professor da Universidade Hamline, explicando o aumento do percentual de apoiadores do impeachment agora. 

De acordo com a pesquisa Gallup divulgada nesta segunda-feira, um dia antes de o Senado aprovar o início do julgamento de Trump, 52% dos americanos são a favor da condenação do ex-presidente, enquanto 45% são contra. No primeiro processo de impeachment, 46% afirmaram ser favoráveis aos senadores votarem para retirar o republicano da Presidência, e 51% eram contrários. 

Na sondagem da CBS News/YouGov, de terça-feira, a porcentagem dos que querem que Trump seja condenado por incitar a violência é ainda maior, com 56% — é o mesmo percentual de entrevistados que afirmaram que o republicano encorajou o ataque ao Capitólio e que o impeachment é uma forma de “defender a democracia americana”. Esse também é o mesmo índice encontrado na pesquisa ABC News/Ipsos do último domingo.

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No entanto, apesar da estreita maioria que apoia a condenação de Trump, é muito improvável que a opinião pública influencie o resultado do julgamento no Senado, segundo explica o professor de Relações Internacionais da FAAP Vinícius Viera. Com os republicanos e democratas tendo 50 cadeiras cada na Casa, o partido de Biden tem uma leve vantagem devido ao voto de minerva da vice-presidente Kamala Harris, que atua como presidente do Senado. Porém, é necessário uma maioria qualificada de 67 votos para haver uma condenação em um processo de impeachment — isto é, 17 senadores republicanos devem ir contra o ex-presidente, e até agora apenas seis se mostraram inclinados a fazê-lo. 

Além disso, a composição do Senado também favorece estados mais rurais e conservadores, que apoiam Trump, conforme aponta Vieira.

— A política americana é muito paroquial. Ou seja, não importa a opinião pública nacional, o que é determinante é opinião pública nos estados. Caso haja uma mudança no humor nesses estados do Centro e do Sul do país, considerados tradicionalmente republicanos, é óbvio que os senadores não vão querer perder seu eleitorado (e votarão contra Trump) — explica o professor, ressaltando que essa mudança de posição é improvável.

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Tal improbabilidade está explícita nas  pesquisas que indicam que os eleitores do partido não querem a condenação de Trump. Segundo o Gallup, oito entre dez republicanos se opõem ao impeachment do ex-presidente. Na sondagem da CBS News/YouGov, a porcentagem dos que rejeitam o impedimento é de 44%, sendo a maioria de republicanos, que também consideram o processo uma “distração” e “desnecessário”. 

Essa última pesquisa apontou, ainda, que 73% dos eleitores republicanos acham importante que o partido se mantenha fiel a Trump, e 71% afirmam que os correligionários que votaram pelo impeachment e pela condenação devem ser considerados “desleais”.

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