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Monday, September 27, 2021

Mãe de jovem morta a facadas em shopping não conseguiu superar a perda: 'Não queria que nada de mal acontecesse com ela'

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Márcia Mota passa os dias vendo vídeos e fotos da filha. Primeira audiência do jiulgamento do acusado de matar Vitórya será nesta segunda-feira

Vera Araújo

02/08/2021 – 07:30

Márcia segura uma foto da filha: 'Na semana em que ela se foi, senti que estava incomodada' Foto: Vera Araújo / Agência O Globo
Márcia segura uma foto da filha: ‘Na semana em que ela se foi, senti que estava incomodada’ Foto: Vera Araújo / Agência O Globo

RIO — Márcia Maria Mota ainda se lembra da cena que viu no Plaza Shopping, em Niterói, em 2 de julho deste ano. Havia ido ao local encontrar a filha, Vitórya Melissa Mota, na cafeteria onde a jovem trabalhava, após sucessivos convites frustrados. A confusão no dia, perto do horário do almoço, chamou sua atenção. Uma fita amarela isolava um trecho do segundo piso, encharcado de sangue. Ainda em busca da filha, Márcia foi informada pela gerente da cafeteria o que havia acontecido: Vitórya, de 22 anos, tinha sido esfaqueada por um homem. Era dela o sangue no chão. Nesta segunda-feira, dia 2, será realizada a primeira audiência do julgamento do caso, na 3ª Vara Criminal do Fórum de Niterói. O réu, Matheus dos Santos da Silva, de 21 anos, teria esfaqueado a vítima devido a um “amor não correspondido”.

Vitórya Melissa Motta, de 22 anos, morta a facadas por colega de curso Foto: Reprodução
Vitórya Melissa Motta, de 22 anos, morta a facadas por colega de curso Foto: Reprodução
A estudante de enfermagem foi morta no dia 2 de junho, dentro de um shopping em Niterói, na Região Metropolitana do Rio Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
A estudante de enfermagem foi morta no dia 2 de junho, dentro de um shopping em Niterói, na Região Metropolitana do Rio Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Segundo testemunha e amiga da vítima, Vitória Melissa tinha decidido se afastar de acusado. O ataque aconteceu após a jovem ter dito que queria ser apenas sua amiga Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Segundo testemunha e amiga da vítima, Vitória Melissa tinha decidido se afastar de acusado. O ataque aconteceu após a jovem ter dito que queria ser apenas sua amiga Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Matheus dos Santos da Silva, 21 anos, acusado de esfaquear a colega de curso Foto: Reprodução / Redes Sociais
Matheus dos Santos da Silva, 21 anos, acusado de esfaquear a colega de curso Foto: Reprodução / Redes Sociais
Matheus foi preso em flagrante, acusado de feminicídio Foto: Reprodução / Agência O Globo
Matheus foi preso em flagrante, acusado de feminicídio Foto: Reprodução / Agência O Globo
Vitórya em sala de aula. Ela estudava em um curso técnico de enfermagem, onde conheceu Matheus dos Santos da Silva, de 21 anos. Testemunhas relataram à Polícia que o autor do crime se declarou à vítima, mas não foi correspondido Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Vitórya em sala de aula. Ela estudava em um curso técnico de enfermagem, onde conheceu Matheus dos Santos da Silva, de 21 anos. Testemunhas relataram à Polícia que o autor do crime se declarou à vítima, mas não foi correspondido Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Vitórya sendo socorrida após ser esfaqueada no Plaza Shopping, em Niterói. E chegou a ser levada para o Hospital Azevedo Lima, mas já chegou morta ao local Foto: Reprodução / Agência O Globo
Vitórya sendo socorrida após ser esfaqueada no Plaza Shopping, em Niterói. E chegou a ser levada para o Hospital Azevedo Lima, mas já chegou morta ao local Foto: Reprodução / Agência O Globo
Um dia antes de sofrer o ataque, Vitórya Melissa publicou em seu perfil nas redes sociais, uma mensagem reflexiva.
Um dia antes de sofrer o ataque, Vitórya Melissa publicou em seu perfil nas redes sociais, uma mensagem reflexiva. “Cansados ou nos cansando? será que podemos escolher?” Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Jovem teve sonhos interrompidos Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Jovem teve sonhos interrompidos Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal
Com palavras de ordem como
Com palavras de ordem como”Parem de nos matar”, “Nenhuma mulher a menos” e “Machismo mata”, manifestantes se reuniram dias depois do crime na entrada do shopping para pedir medidas de proteção às mulheres e penas mais duras para autores de feminicídio Foto: Rebeca Belchior / Levante Feminista / Divulçação

Dois meses depois da morte da filha, a dona de casa de 53 anos ainda não conseguiu superar o trauma. Passa a maior parte do dia com o celular de Vitórya nas mãos, assistindo a vídeos e vendo fotos da jovem. Estudante de um curso de Auxiliar de Enfermagem, Vitórya gostava de cantar — tinha aprendido inglês e exercitava o idioma com as músicas.

Márcia carrega, ela mesma, os traumas de um relacionamento abusivo. Foi vítima de agressão física no primeiro casamento, quando morava em Laguna, Santa Catarina, onde nasceu. Abandonou o agressor e a cidade natal e veio para o Rio. A violência, contudo, acabou atingindo a filha mais velha do segundo relacionamento.

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— Na semana em que ela se foi, senti que estava incomodada. Perguntei o que estava acontecendo. Ela me contou que esse Matheus estava lhe importunando, ficava colado nela. Eu falei que podia ir no curso, falar com a direção, mas ela me disse que resolveria do seu jeito. Eu sofri muito com a violência doméstica, não queria que nada de mal acontecesse com ela — conta Márcia, sem conter as lágrimas.

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Uma colega de Vitórya, que pediu para não ser identificada, contou que o agressor disse que estava apaixonado pela amiga. Em 30 de maio, aniversário da vítima, tentou presenteá-la com dois livros, mas ela se esquivou. Matheus, no dia do crime, atingiu a jovem com oito golpes de uma faca comprada minutos antes no shopping. Ele está preso no Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, em Niterói.

A defesa do acusado entrou com um pedido de que um laudo de insanidade mental fosse produzido. A juíza da 3ª Vara Criminal de Niterói, Nearis dos Santos Carvalho Arce, porém, não autorizou o exame. Num trecho da decisão, fundamenta que “não há nos autos qualquer indício de que o réu seja acometido de distúrbio psiquiátrico”.

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