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Wednesday, April 14, 2021

Kfouri: No futebol pandêmico, o Inter é o melhor exemplo de adaptação; o Flamengo, de resistência

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André Kfouri png Foto: OGlobo



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Os dois se encontrarão dia 21, no Maracanã, no que promete ser um jogo determinante para o desfecho de uma competição que não tem finais

O trecho final da corrida pelo troféu do Campeonato Brasileiro apresenta, com suas devidas particularidades locais, elementos compatíveis com o que talvez se possa chamar de “futebol pandêmico”. As exigências adicionais impostas pelo calendário comprimido provocaram um processo de seleção natural que terminou por escolher Internacional e Flamengo como postulantes nas últimas rodadas, cada um representando um jeito de jogar que, em si, são olhares diferentes para os mesmos problemas. Eles se encontrarão no dia 21, no Maracanã, no que promete ser um jogo determinante para o desfecho de uma competição que não tem finais.

As circunstâncias que trouxeram essas duas equipes até aqui também se explicam pelos times que foram excluídos da disputa. O Atlético Mineiro, em especial, ilustra o prejuízo que uma programação de jogos que não considera o treinamento exerce sobre times cuja preparação precisa ser mais detalhada. O futebol de Jorge Sampaoli sofre quando as condições não permitem o ajuste da pressão conforme cada adversário e o descanso necessário para executá-la com eficiência, sem falar nos efeitos de um surto de Covid-19 patrocinado pelo próprio clube. Já o desaparecimento do São Paulo é uma ocorrência distinta, o tipo de autodestruição que se veria em qualquer outro cenário, mas que evidencia os dramas de um clube doente há longos anos. Por ironia, controlar O Vírus de maneira exemplar foi o grande mérito da temporada são-paulina.

O Inter é o exemplo de adaptação mais eficiente ao jogo da pandemia. Quando Chacho Coudet decidiu ir para a Espanha, seu time liderava a classificação com uma proposta de futebol que – por razões semelhantes às mencionadas sobre o Atlético – provavelmente não se sustentaria até o sprint. Com Abel Braga, a reversão a um jogo que minimiza os próprios erros e penaliza os do oponente gerou uma equipe confiante para escalar a tabela e retornar ao primeiro lugar. Esse expediente não é melhor ou pior, mas, por ser alimentado por ensaios menos detalhados, mostra-se mais adequado para a necessidade de competir em prazos irracionais. Vejamos como o líder se comportará nesta quarta-feira, em casa e contra um adversário tecnicamente inferior, num jogo que pode reestabelecer os quatro pontos de distância para o Flamengo.

O conjunto dirigido por Rogério Ceni é um caso complexo. O melhor time do país deveria estar mais próximo do título de um campeonato disputado em pontos corridos, e o fato de não estar revela equívocos que não são, todos, de autoria do técnico atual. Ceni, há três meses no comando, tenta construir uma equipe no mais difícil dos contextos, sob as ordens de um calendário insano e a supervisão rabugenta dos “jesuítas” – obviamente não se trata da ordem religiosa – para os quais o Flamengo deveria ter os números do Bayern, ou até superiores. Para adicionar suspense, a qualidade distribuída pelo elenco impossibilita que se jogue esperando e reagindo, o que, como explicado – mas não sugerido, frise-se – talvez fosse mais oportuno para o momento presente.

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