16.3 C
Peru
Monday, May 17, 2021

Índia e China concordam em retirar militares de região disputada no Himalaia

Must read

Movimento de retirada avalia tensões pelo controle de áreas próximas à Linha de Controle Real, que delimita a fronteira entre os países

O Globo, com agências internacionais

11/02/2021 – 16:29

Soldados do exército indiano dirigem veículos no território da união de Ladakh. Índia disse chegado a um acordo com a China para ambos recuarem parte de sua contestada fronteira do Himalaia. Foto: MOHD ARHAAN ARCHER / AFP
Soldados do exército indiano dirigem veículos no território da união de Ladakh. Índia disse chegado a um acordo com a China para ambos recuarem parte de sua contestada fronteira do Himalaia. Foto: MOHD ARHAAN ARCHER / AFP

NOVA DELI  —  Índia e China começaram nesta quinta-feira a retirar tropas e tanques de batalha da Linha de Controle Real (LAC) no leste de Ladakh, no Himalaia, uma região que delimita a fronteira entre os dois países e é alvo de disputas há décadas. A retirada começou nas margens norte e sul do Pangong Tso, lago glacial situado a 4270 metros de altura.  O movimento de retirada é considerado um avanço nas negociações diplomáticas dos países, após diversos atritos entre tropas chinesas e indianas no ano passado.

Diplomacia: Depois da primeira conversa entre Biden e Xi, EUA enfatizam direitos humanos, e China, não confrontação

O ministro da Defesa indiano, Rajnath Singh, disse ao parlamento que os dois lados chegaram a um acordo para se retirar de Pangong Tso, após várias rodadas de negociações entre comandantes militares e diplomatas chineses. O Ministério da Defesa da China já havia anunciado na quarta-feira que as tropas da linha de frente dos dois países estavam se retirando das margens do lago

— Nossas conversas sustentadas com a China levaram a um acordo sobre o desligamento nas margens norte e sul do lago Pangong — disse o ministro.

O impasse começou em abril do ano passado, quando a Índia disse que as tropas chinesas invadiram seu lado da LAC, que funciona como uma fronteira entre as áreas de domínio indiano e chinês.  Os chineses, por sua vez, afirmaram que as tropas estavam operando em sua própria área e acusou os guardas de fronteira indianos de realizarem ações provocativas.

Um vídeo divulgado pelo exército indiano mostrou os soldados de ambos os lados realizando saudações e apertando as mãos uns dos outros nas montanhas áridas onde o lago está localizado. Alguns tanques de batalha são vistos se afastando da linha de frente.

Bolsonaro:Presidente diz acreditar que acordos assinados com Trump serão mantidos por Biden

Em junho passado, 20 soldados indianos foram mortos quando os dois lados entraram em confronto com barras de ferro e pedras no vale de Galwan, o primeiro confronto com vítimas fatais na fronteira em 45 anos. A China também teve um número não especificado de vítimas. Desde então, os dois países, que travaram uma guerra em 1962, movimentaram milhares de tropas, tanques, canhões de artilharia e jatos de combate perto da fronteira.

Singh destacou que o governo indiano alertou aos chineses que a paz e a tranquilidade foram seriamente afetadas pelas ações das tropas do país, o que trouxe consequências para os laços bilaterais.

 — Para garantir o desligamento nos pontos de atrito ao longo da LAC, as tropas de ambos os lados, que agora estão nas proximidades, deveriam desocupar os posicionamentos avançados feitos em 2020 e retornar às bases permanentes e aceitas — disse ele.

Em agosto, as tropas indianas ocuparam alturas na margem sul do lago em retaliação às tropas chinesas que avançavam ao longo da margem norte. Singh disse que os dois lados concordaram em desmantelar as estruturas de defesa que construíram nas duas margens do lago, dois terços das quais a China controla.

Assim que o desligamento for concluído, os comandantes militares se reunirão em 48 horas para discutir a retirada de outras áreas, disse Singh. O lago Pangong se estende do Tibete, controlado pela China, até a região de Ladakh, na Índia. Índia e China não conseguiram chegar a um acordo sobre sua fronteira de 3.500 km desde a guerra em 1962.

More articles

- Advertisement -

Latest article