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Saturday, May 8, 2021

Freira francesa completa 117 anos após vencer a Covid-19

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Irmã André, pessoa mais velha que se tem registro na Europa, deve celebrar data e recuperação da doença com banquete e uma taça de champanhe

Do New York Times

11/02/2021 – 12:37
/ Atualizado em 11/02/2021 – 12:55

Irmã André sentada em uma cadeira de rodas, às vésperas de seu 117º aniversário. Foto: NICOLAS TUCAT / AFP
Irmã André sentada em uma cadeira de rodas, às vésperas de seu 117º aniversário. Foto: NICOLAS TUCAT / AFP

TOULON, FRANÇA — Após viver a pandemia de gripe espanhola de 1918, duas guerras mundiais e outros acontecimentos “tristes”, a irmã André, pessoa mais velha de que se tem registro na Europa, completou 117 anos nesta quinta-feira e conquistou outra façanha recentemente: derrotou o coronavírus, quase sem complicações.

— Ela está recuperada, junto com todos os residentes aqui — disse David Tavella, o porta-voz da casa de repouso Catherine Labouré em Toulon, no sudeste da França, onde a irmã reside.

O coronavírus varreu o asilo no mês passado. Dos 88 residentes, 81 foram infectados, incluindo a irmã André, e 11 morreram.

— Ela está calma, muito radiante e ansiosa para comemorar seu 117º aniversário — contou Tavella, acrescentando que a moradora mais famosa da casa estava descansando na quarta-feira e precisava de uma pausa nas entrevistas.

Após ser diagnosticada com a doença, a irmã permaneceu isolada por semanas. Ela dormiu mais do que o normal, mas orou e permaneceu assintomática. Esta semana, a religiosa se tornou a pessoa mais velha conhecida a sobreviver a Covid-19.

— Ela ficava me dizendo: ‘Não tenho medo da Covid porque não tenho medo de morrer, então dê minhas doses de vacina para quem precisa’ — disse Tavella.

A história da irmã ganhou as manchetes na França, fornecendo algumas notícias reconfortantes em um país onde milhares de residentes de asilos morreram. A França começou a vacinar profissionais de saúde esta semana, mas as autoridades têm enfrentado críticas por uma implementação lenta que até agora manteve as autoridades lutando contra um número crescente de infecções, e sem limites à vista. Até quarta-feira, 2,2 milhões de pessoas haviam sido vacinadas, menos de 3% da população.

Os gerentes de lares de idosos restringiram as visitas ou pediram aos parentes que usassem aventais, máscaras, luvas e óculos para proteger os residentes. Muitos deles permaneceram isolados por quase um ano, incapazes de passar as férias de Natal com suas famílias.

Comemoração terá foie gras com figos quentes,capão assado com cogumelos e batata-doce, além de uma taça de vinho tinto. Foto: NICOLAS TUCAT / AFP
Comemoração terá foie gras com figos quentes,capão assado com cogumelos e batata-doce, além de uma taça de vinho tinto. Foto: NICOLAS TUCAT / AFP

A Irmã André nasceu com o nome de Lucile Randon em 1904, e recebeu seu título eclesiástico em 1944 quando ingressou em uma ordem católica de caridade. Agora cega e em uma cadeira de rodas, a irmã às vezes se sente solitária e dependente, disse ela aos meios de comunicação franceses em entrevistas nos últimos anos, mas aceitou a provação que a pandemia trouxe, segundo conta Tavella.

— Quando você era um adolescente durante uma pandemia que matou dezenas de milhões e viu os horrores de duas guerras mundiais, você colocou as coisas em perspectiva — acrescentou ele.

As histórias de outras pessoas que envelhecem passando pela pandemia também fornecem relatos de resiliência, desespero e esperança. Na Bélgica, Simon Gronowski, um sobrevivente do Holocausto, levantou seus vizinhos tocando piano. Em Nova Jersey, Sylvia Goldsholl derrotou o coronavírus no ano passado aos 108 anos porque, disse ela, “estava determinada a sobreviver”.

Tom Moore, o veterano de 100 anos do Exército Britânico que se tornou um herói nacional durante a pandemia ao arrecadar dezenas de milhões de libras para o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, morreu de coronavírus na semana passada, gerando incontáveis tributos pelo mundo.

Tavella afirmou que a irmã André permaneceu paciente durante semanas de isolamento, embora a freira tenha perguntado algumas vezes sobre quando ela poderia ver as pessoas novamente.

— Ela não sentiu a doença, então se perguntou por que estávamos falando sobre o coronavírus todos os dias, por que ela não podia receber visitas nossas na casa de saúde, ou de parentes ou outros residentes.

Na quarta-feira, a maioria dos residentes do asilo estava fora do isolamento e a irmã estava se preparando para o seu aniversário. Ela deve estar ocupada nesta quinta-feira. Depois de um telefonema com sua família, a freira terá outro com o prefeito de Toulon, antes de cumprimentar o bispo que vai visitá-la.

Depois vem a parte divertida: o vinho do Porto como entrada do almoço, seguido de foie gras com figos quentes. A irmã André terá um capão assado com cogumelos e batata-doce como prato principal, seguido de uma travessa de dois queijos – Roquefort e queijo de cabra – e talvez alguns copos de vinho tinto. E, finalmente, sua sobremesa favorita: um Baked Alaska com sabor de framboesa e pêssego, acompanhado de uma taça de champanhe.

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