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Monday, September 27, 2021

Estado da Geórgia abre investigação contra Trump por pressão para anular vitória de Biden

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Telefonema para secretário foi uma das várias tentativas do ex-presidente de alterar resultado eleitoral; é o segundo inquérito criminal de que ele é alvo

Do New York Times

10/02/2021 – 12:49
/ Atualizado em 10/02/2021 – 13:02

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma foto tirada em 12 de janeiro Foto: MANDEL NGAN / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma foto tirada em 12 de janeiro Foto: MANDEL NGAN / AFP

ATLANTA — Os promotores do condado de Fulton, na Geórgia, abriram uma investigação criminal sobre as tentativas do ex-presidente Donald Trump de anular os resultados das eleições no estado, incluindo um telefonema que ele deu ao secretário de Estado, Brad Raffensperger. Na ligação, Trump  pediu, de forma explícita, que as autoridades eleitorais locais mudassem os resultados da votação no estado em seu favor

Na quarta-feira, Fani Willis, a recém-eleita promotora democrata do condado de Fulton, enviou uma carta a vários funcionários do governo estadual, incluindo Raffensperger, solicitando que eles preservassem os documentos relacionados à ligação de Trump, de acordo com uma autoridade do estado. A carta afirmava explicitamente que o pedido fazia parte de uma investigação criminal, disse o funcionário, que preferou manter o anonimato.

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O inquérito torna a Geórgia o segundo estado, depois de Nova York, onde Trump enfrenta uma investigação criminal. E se trata de uma jurisdição em que os jurados em potencial provavelmente não terão boa vontade com o ex-presidente. O condado de Fulton abrange a maior parte de Atlanta e apoiou esmagadoramente o democrata Joe Biden na eleição de novembro.

A investigação do condado de Fulton vem na esteira de uma decisão tomada na segunda-feira pelo escritório de Raffensperger, que é republicano, de abrir um inquérito administrativo sobre as pressões de Trump.

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A promotora Fani Willis estava avaliando há várias semanas se deveria abrir um inquérito, após o telefonema de Trump para Raffensperger em 2 de janeiro alarmar os especialistas eleitorais, que consideraram o ato uma intervenção extraordinária no processo eleitoral de um estado.

Essa ligação foi uma das várias tentativas que Trump fez para persuadir altos funcionários republicanos no estado a descobrir casos de fraude eleitoral que pudessem mudar o resultado. Ele também ligou para o governador Brian Kemp no início de dezembro e o pressionou a convocar uma sessão legislativa especial para anular sua derrota eleitoral. Naquele mês, Trump ainda ligou para um investigador estadual e o pressionou a “encontrar a fraude”, de acordo com pessoas que tem conhecimento sobre o conteúdo da ligação.

Ex-promotores disseram que as ligações de Trump podem entrar em conflito com pelo menos três leis estaduais. Uma é a solicitação criminosa para cometer fraude eleitoral, que pode ser um crime ou contravenção. Como crime, é punível com pelo menos um ano de prisão. Há também uma acusação de conspiração relacionada, que pode ser enquadrada como contravenção ou crime. Uma terceira lei, um delito de contravenção, proíbe a “interferência intencional” no “desempenho das funções eleitorais” de outra pessoa.

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A vitória de Biden na Geórgia foi reafirmada depois que as autoridades eleitorais certificaram os resultados das eleições presidenciais do estado em três contagens diferentes das cédulas: a contagem eleitoral inicial; uma recontagem manual ordenada pelo estado; e outra recontagem, que foi solicitada pela campanha de Trump e concluída por máquinas. Os resultados da recontagem automática mostram que Biden venceu com uma vantagem de cerca de 12 mil votos.

Biden foi o primeiro democrata a vencer a eleição presidencial na Geórgia desde 1992. Trump acusou o governador Brian Kemp e Raffensperger, ambos republicanos, de não fazerem o suficiente para ajudá-lo a derrubar o resultado nas semanas após a eleição. Kemp e Raffensberger resistiram a inúmeros ataques de Trump, que chamou o governador de “infeliz” e pediu ao secretário de Estado que renunciasse.

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A investigação na Geórgia ocorre no momento em que Trump também enfrenta um inquérito de fraude criminal em suas finanças comandado pelo promotor do distrito de Manhattan Cyrus Vance e um inquérito de fraude civil comandado pela procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

O mero início de uma investigação sobre o ex-presidente pode ser um momento de definição de carreira para Willis, que assumiu o cargo em janeiro. Ela é a primeira mulher afro-americana a conseguir o emprego no condado mais populoso da Geórgia e já enfrentou alguns desafios assustadores. Atlanta está saindo de um ano com um alto número de homicídios, e  Willis prometeu um ambicioso conjunto de mudanças para o escritório.

Se Trump for condenado por um crime estadual em Nova York ou na Geórgia, um perdão federal não será aplicável. Na Geórgia, Trump não pode esperar do governador Brian Kemp, um republicano, o perdão do estado, e não apenas porque os dois têm um relacionamento ruim. Na Geórgia, os perdões são concedidos apenas pelo Conselho Estadual de Perdões e Liiberdade Condicional.

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