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Entenda: Por que a Índia, que mais produz vacinas no mundo, está ficando para trás na imunização de sua população?

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País exportou imunizantes para 17 países e pretende vacinar 400 milhões até agosto; mas no ritmo em que segue a campanha, seriam necessários anos para atingir meta

Neha Arora e Krishna N. Das, da Reuters

12/02/2021 – 12:44
/ Atualizado em 12/02/2021 – 13:04

Profissional de saúde é vacinado com fórmula da AstraZeneca em hospital de Kolkata, na Índia, no dia 1º de fevereiro Foto: RUPAK DE CHOWDHURI / REUTERS
Profissional de saúde é vacinado com fórmula da AstraZeneca em hospital de Kolkata, na Índia, no dia 1º de fevereiro Foto: RUPAK DE CHOWDHURI / REUTERS

NOVA DÉLHI — Se por um lado a Índia foi aplaudida por produzir e enviar vacinas da Covid-19 para todo o mundo, por outro, sua população sofre um processo lento de imunização contra a doença. Com o segundo maior número de casos do planeta depois dos EUA, o país pretendia imunizar 300 milhões de pessoas, um quinto de sua população, até agosto.

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Em quatro semanas, foram vacinados apenas 7,5 milhões de profissionais médicos da linha de frente como grupo prioritário. Nessa velocidade, a Índia levaria pelo menos um par de anos para atingir a meta.

— Programas de vacinação começam lentos e depois aumentam conforme as questões logísticas e operacionais vão sendo resolvidas — disse Gagandeep Kang, professor de microbiologia do Christian Medical College, na Índia. — Temos a sorte de o fornecimento de vacinas não ser um limitador (aqui), mas, para cumprir os prazos, teremos que imunizar algo entre quatro e cinco vezes mais pessoas por dia do que hoje em dia.

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O Brasil negocia com a Bharat Biotech, um dos principais laboratórios indianos, a aquisição de 20 milhões de doses da vacina Covaxin por meio da importadora Precisa Medicamentos. O fármaco, apesar de ainda estar em fase de testes, teve seu uso emergencial aprovado na Índia em meio a controvérsias.

Além disso, o país adquiriu, através da Fiocruz, dois lotes de doses prontas da vacina da anglo-sueca AstraZeneca produzidas pelo Instituto Serum da Índia, a maior fabricante de imunizantes no mundo. Na última quarta-feira, o Ministério da Saúde anunciou que iniciou as conversas para um memorando de entendimento com a indiana Zydus Cadila, que desenvolve a vacina Zycov-D, em testes no país asiático.

O governo diz que está pronto para intensificar a vacinação a partir do próximo mês. E o Ministério da Saúde afirmou que a Índia é o país que mais rapidamente alcançou a marca de 7 milhões de vacinados, embora a imunização em relação à população seja muito maior em outros países.

Diversos estados indianos cobriram menos de 40% de sua população de alto risco, como enfermeiros, médicos e equipe de limpeza de hospitais, o que preocupa o governo federal. Após um estudo revelar que há espaço para melhorar o esquema de vacinação, as autoridades pediram aos estados que acelerem o processo.

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— A administração de vacinas precisa de um sistema especial devido à natureza da doença — disse um funcionário do governo envolvido no processo, que não quis ser identificado, citando as regras do serviço. — Eles têm que pegar dados da pessoa que está sendo vacinada, registrá-la e monitorá-la.

Negociações do governo e desconfiança 

A Índia, que produz 60% de todas as vacinas do mundo, doou ou vendeu doses do imunizante contra Covid-19 para 17 países e tem pedidos de mais cinco. O governo, no entanto, disse ao parlamento esta semana que está coordenando com os fabricantes para garantir suprimentos adequados à sua própria campanha.

Se o governo afirma que a infraestrutura de armazenamento e produção não é um problema, por outro lado, reconhece a hesitação em se vacinar de alguns grupos no país.

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A Índia conta com a local Covaxin, desenvolvida pela Bharat Biotech em parceria com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica estatal, bem como uma vacina licenciada pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. Alguns médicos e o estado de Chhattisgarh, governado pela oposição ao governo central, no entanto, estão preocupados com a Covaxin, aprovada no mês passado para uso emergencial sem quaisquer dados de eficácia de um teste em estágio final.

O ministério da Saúde censurou Chhattisgarh por “alimentar” especulações e resistência contra as vacinas em um momento crítico: a Índia registrou 9.309 novos casos diários de Covid-19 nesta sexta-feira, aumentando o número total para 10,88 milhões de casos no total.

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“Em tempos tão sem precedentes como estes, você deve ajudar a lidar com qualquer receio em vacinação e fazer o que é do melhor interesse das pessoas”, escreveu o ministro da Saúde, Harsh Vardhan, no Twitter.

Segundo a Bharat Biotech, os dados de eficácia do teste clínico em estágio final serão divulgados no próximo mês. A Índia também deve aprovar outros imunizantes nos próximos meses, incluindo o Sputnik V da Rússia e da Cadila Healthcare, Novavax e Johnson & Johnson.

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