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Tuesday, April 20, 2021

Em SP, cidades vizinhas com UTIs lotadas enfrentam pandemia com medidas opostas

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Enquanto Araraquara prorrogou lockdown até sábado, Bauru briga na Justiça para conseguir flexibilizar regras impostas pelo governo paulista

Gustavo Schmitt

25/02/2021 – 10:30
/ Atualizado em 25/02/2021 – 10:45

Com 12 casos da cepa brasileira a cidade de Araraquara (SP) endureceu as regras de confinamento e fechou o comércio não essencial Foto: Fotoarena / Agência O Globo
Com 12 casos da cepa brasileira a cidade de Araraquara (SP) endureceu as regras de confinamento e fechou o comércio não essencial Foto: Fotoarena / Agência O Globo

SÃO PAULO — Cidades vizinhas no interior paulista, Araraquara e Bauru têm enfrentado a pandemia do novo coronavírus com medidas opostas.

Enquanto Araraquara decidiu seguir as medidas estabelecidas pelo governo João Doria (PSDB) e prorrogou, na terça-feira (23), um lockdown até sábado, Bauru, cuja prefeita é alinhada ao presidente Jair Bolsonaro, briga na Justiça para flexibilizar as regras da fase vermelha do Plano São Paulo. Em comum, os dois municípios a 100 km de distância têm 100% dos seus leitos de UTI ocupados.

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Em Araraquara, foram detectados pelo menos 12 casos da nova variante do coronavírus oriunda de Manaus. Desde domingo, o prefeito Edinho Silva (PT) baixou uma série de decretos na tentativa de frear a circulação do vírus, como a interrupção da circulação do transporte coletivo e o fechamento de supermercados Quem sair na rua sem justificativa, está sujeito à multa de R$ 120 e os comerciantes que desrespeitarem as regras podem ser autuados em até R$ 6 mil.

— Não temos a menor condição de flexibilizar porque a contaminação ainda está numa curva crescente — afirma o prefeito Edinho Silva. — Desde a segunda quinzena de janeiro vimos um crescimento da contaminação e a doença evoluiu entre pacientes e jovens. No ano passado, perdemos um paciente com Covid-19 com menos de 40 anos. Agora em 50 dias, registramos nove mortes nessa faixa etária. Com isso, os médicos começaram a notar que tinha algo novo na pandemia.

Embora seja declaadamente anti-PT, Doria surpreendeu e rasgou elogios ao petista Edinho Silva, que já foi prefeito de Bauru entre 2001 e 2008. No meio político, Silva é conhecido por seu pragmatismo e por dialogar com todos os espectros ideológicos.

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Bauru: festas proibidas, cultos liberados

Em Bauru, por sua vez, a prefeita Suéllem Rosim (Patriota) chamou atenção ao aparecer num vídeo com dezenas de pessoas numa igreja evangélica, no último dia 18. Em entrevistas, Suéllem tem atribuído casos de aglomerações naquele município às festas clandestinas, mas sem fazer qualquer menção ao cultos, ainda que muitas igrejas tenham passado a transmitir as celebrações pela internet para evitar a transmissão da doença.

Um dia antes, a prefeita já havia faltado a uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, para tratar sobre a expansão de leitos de UTI e de enfermarias.

Nesta terça-feira, o Tribunal de Justiça negou um recurso da prefeitura de Bauru que pretendia derrubar uma decisão que a obriga a seguir regras mais restritivas com o fechamento de bares, restaurantes e shoppings. Procurada pela reportagem, a prefeita de Bauru não respondeu.

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Adversário político presidente, Doria chamou a prefeita de Bauru de “negacionista” e disse que ela presta vassalagem a Bolsonaro. Suellen foi recebida no Palácio do Planalto pelo presidente Bolsonaro no último dia 27. 

Suellen sustenta que não é negacionista e costuma defender equilíbrio entre a abertura da economia e a adoção de medidas sanitárias. Ainda assim, pouco mais de um mês depois que assumiu o cargo, ela chegou a dizer, em entrevista à rádio Jovem Pan, que considerava exagero que houvesse colapso na saúde daquele município. Naquela altura, a taxa de ocupação dos leitos de UTI da região de Bauru já estava entre as maiores do estado.

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