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Sunday, October 17, 2021

Em discurso a europeus, Biden diz que democracia está em perigo e deve prevalecer sobre autocracias

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Presidente define China como ‘competidora’, mas trata Rússia como uma ameaça à Europa; presidente americano faz defesa firme da aliança transatlântica

O Globo e agências internacionais

19/02/2021 – 14:10
/ Atualizado em 19/02/2021 – 14:21

Joe Biden participa, à distância, da Conferência de Segurança de Munique Foto: MANDEL NGAN / AFP
Joe Biden participa, à distância, da Conferência de Segurança de Munique Foto: MANDEL NGAN / AFP

WASHINGTON E MUNIQUE — Em sua estreia internacional como presidente dos EUA, Joe Biden tentou se estabelecer como um defensor ferrenho dos valores democráticos no mundo, e sinalizou que o momento é de um embate entre a democracia e a autocracia — um recado direto à China e à Rússia, citados nominalmentes no discurso, mas com conotações diferentes.

Em discurso na Conferência de Segurança de Munique, realizada este ano de maneira virtual por causa da pandemia do novo coronavírus, Biden delimitou as prioridades de política externa de seu governo, e declarou que a defesa da democracia vai nortear suas ações.

— Em muitos lugares, incluindo Europa e Estados Unidos, o progresso democrático está em perigo — declarou Biden, pouco mais de um mês depois de partidários do então presidente Donald Trump tentarem impedir que o Congresso confirmasse sua eleição. — Se nós trabalharmos ao lado de nossos parceiros democráticos, com força e confiança, sei que vamos vencer cada um dos desafios e superar cada desafiante.

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Revertendo quatro anos de política isolacionista de Donald Trump, Joe Biden exaltou a aliança transatlântica com a Europa, e a designou como a base das ações e desafios no século XXI, a começar pelas relações com a China. Biden não mencionou Pequim como um adversário, e defendeu que os dois lados do Atlântico se preparem para uma “competição estratégica”, de longo prazo, com os chineses.

— A competição com a China vai ser dura. Temos que agir contra os abusos econômicos e a coerção do governo chinês — declarou Biden.

Ele não mencionou questões de aspecto humanitário, como as acusações de abusos cometidas contra a minoria uigur, que motivaram um pacote de sanções americanas em junho do ano passado.

Ocidente x Oriente

Sobre a Rússia, o tom foi diferente. Apesar de louvar a prorrogação do Novo Start, acordo de controle de arsenais nucleares entre os dois países, ele ressaltou como seu governo vê Moscou como um adversário, no sentido político da palavra.

— Os desafios com a Rússia podem ser diferentes daqueles que enfrentamos com a China, mas eles são igualmente reais — declarou, acrescentando que não deseja uma “nova Guerra Fria”. — Não se trata apenas de colocar o Ocidente contra o Oriente.

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Biden acusou o Kremlin de tentar minar a aliança transatlântica para pressionar Estados independentes, evitando nações mais fortes, como os EUA. Ele atacou a ação de hackers russos contra interesses dos EUA  e aliados, e mesmo o discurso de que o sistema político americano é “mais corrupto” do que o russo, uma narrativa presente na imprensa russa e reforçada pelo episódio da invasão do Capitólio por partidários de Trump, em 6 de janeiro.

Mesmo antes de assumir o cargo, Biden apontava a  Rússia como o maior adversário dos EUA no mundo, estabelecendo o país como uma ameaça concreta à segurança nacional americana. No mês passado, em conversa com o presidente Vladimir Putin, fez duras críticas à posição russa na Europa e em questões como a Ucrânia — no discurso desta sexta, Biden voltou a afirmar que defende a integridade territorial da ex-república soviética.

Acordo nuclear

O presidente americano reforçou ainda o interesse de retomar as negociações para o retorno dos EUA ao acordo sobre o programa nuclear do Irã, abandonado por Donald Trump há pouco mais de dois anos. Na véspera, o Departamento de Estado havia confirmado que o governo Biden aceitaria participar de uma reunião entre os países signatários do texto, a ser organizada pelos parceiros europeus, e no momento aguarda a resposta do Irã.

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Ao mesmo tempo, Biden declarou ser necessário lidar com a situação de segurança regional no Golfo Pérsico — um dos desejos da diplomacia americana é incluir temas como o programa de mísseis balísticos do Irã em um possível novo acordo com Teerã, uma ideia embrionária até o momento.

Por fim, Joe Biden falou da questão climática, sua principal bandeira de governo, em suas próprias palavras, exigindo uma ação concreta e rápida de todo o mundo.

— Não podemos mais nos atrasar, ou fazer o mínimo, para enfrentar as mudanças climáticas — declarou Biden. — É uma crise global, e todos sofrerão as consequência se fracassarmos.

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Sobre a Covid-19, ele defendeu o aperfeiçoamento dos mecanismos de cooperação global, a começar por uma reforma da OMS, e o fortalecimento dos sistemas de saúde globais. Ele ainda anunciou um investimento de US$ 2 bilhões no consórcio Covax, liderado pela OMS, para o desenvolvimento e produção de vacinas contra a Covid-19 para os países mais pobres.

Multilateralismo

Mais cedo, Biden particípou da reunião virtual do G-7, o grupo formado por sete das maiores nações industrializadas do mundo, e foi louvado pela chanceler alemã Angela Merkel: para ela, a eleição do democrata serviu para “reforçar o multilateralismo” dentro do G-7.

Não deixou de ser uma menção indireta a Trump, que protagonizou episódios tensos em reuniões passadas do grupo, quase sempre relacionadas à cooperação entre as nações.

Ao final do encontro, o G-7 emitiu um comunicado final defendendo o multilateralismo, apontando que a pandemia do novo coronavírus deve servir de “ponto de virada” para que o mundo trabalhe de forma conjunta “por uma recuperação que promova a saúde e a prosperidade do planeta”.

O texto menciona ainda a necessidade do engajamento com outras nações, citando especificamente a China, como forma de aumentar a interação entre os países, para “reconstruir de forma melhor para todos” a economia global. A questão climática também ocupou papel central no encontro, e as nações do grupo defenderam que a economia se adeque às provisões estabelecidas no Acordo de Paris.

Por sinal, a reunião confirmou o retorno oficial dos EUA a este acordo, pouco mais de quatro anos depois da retirada anunciada por Donald Trump. O anúncio havia sido feito pouco depois da posse de Biden mas o mecanismo do tratado define um período de espera de 30 dias até que ele passe a valer para aquele país signatário.

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