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Tuesday, April 20, 2021

Eleição no MPF do Rio definirá comando do Gaeco, novo responsável pela Lava-Jato

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Uma votação interna, aberta até sexta-feira, vai definir o coordenador do grupo

Aguirre Talento

08/02/2021 – 04:30

O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Rio, procurador Eduardo El Hage 21/03/2017 Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo
O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato no Rio, procurador Eduardo El Hage 21/03/2017 Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

RIO – O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro virou palco de uma disputa eleitoral que vai definir os rumos de suas investigações de combate à corrupção pelos próximos dois anos.

A unidade está em processo de criação de um Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para absorver os trabalhos da força-tarefa da Lava-Jato. Uma votação interna, aberta até sexta-feira, vai definir o coordenador do Gaeco.

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Há dois candidatos inscritos. Um deles é o procurador Eduardo El Hage, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato do Rio, responsável por conduzir as investigações que revelaram a existência de um megaesquema de corrupção instalado nos governos estaduais do Rio e que resultaram na prisão ou afastamento dos últimos dois governadores.

Também disputa o cargo o procurador Eduardo Benones, que investiga o vazamento de informações sigilosas sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz para a equipe do então candidato Flávio Bolsonaro durante as eleições de 2018.

Ambos têm um perfil considerado rigoroso no combate à criminalidade e são respeitados por seus pares. A votação agitou os bastidores do MPF do Rio. Na próxima quarta-feira, El Hage e Benones participarão de um debate para expor suas ideias a respeito do Gaeco e do futuro das investigações da Lava-Jato.

Após a votação, caberá ao novo coordenador definir qual será o formato da Lava-Jato do Rio dentro do Gaeco. O modelo foi escolhido pela atual gestão da Procuradoria-Geral da República (PGR) para substituir a força-tarefa, alvo de críticas por parte do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Como O GLOBO mostrou ontem, a principal dificuldade dos Gaecos é ter uma estrutura escassa com pouca equipe de servidores para apoio e sem dedicação exclusiva para seus membros.

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No Gaeco criado no MPF do Paraná, ficou estabelecida a existência de um núcleo apenas para a Lava-Jato, com quatro procuradores de dedicação exclusiva. A formatação no Rio só será conhecida após a definição do coordenador, prevista para abril. Na sequência, haverá votação interna para a escolha dos integrantes do grupo. Os nomes, então, serão enviados à PGR para que Aras os designe para mandatos de dois anos, renováveis.

A atual equipe da Lava-Jato do Rio tem El Hage no comando e outros dez procuradores, dos quais seis atuam em dedicação exclusiva. Caso a fórmula adotada com a Lava-Jato do Paraná se repita, deve haver uma diminuição na quantidade de procuradores com dedicação exclusiva, mas o tamanho final ainda está indefinido.

A PGR afirma que está realizando estudos orçamentários para encontrar maneiras de fortalecer a estrutura dos Gaecos e diz que a exclusividade depende de autorização das unidades estaduais do Ministério Público Federal onde os procuradores estão lotados.

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