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Wednesday, June 16, 2021

Eleição no Equador: Medo de contrair a Covid-19 se reflete nas urnas e autoridades temem abstenção alta

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Conselho Nacional Eleitoral divulgou protocolo contra coronavírus para reduzir risco de contágio

Sara España, do El País

06/02/2021 – 09:04
/ Atualizado em 06/02/2021 – 09:05

Funcionários transportam para zonas eleitorais urnas e outros materiais para a votação presidencial no Equador Foto: JOSE SANCHEZ LINDAO / AFP
Funcionários transportam para zonas eleitorais urnas e outros materiais para a votação presidencial no Equador Foto: JOSE SANCHEZ LINDAO / AFP

GUAYAQUIL — Entre as perguntas costumeiras antes de qualquer eleição, uma tem ganhado destaque na corrida presidencial no Equador: “Você vai votar?” A possibilidade se contrair o novo coronavírus durante a votação tem aterrorizado os eleitores do país. Para evitar um alto índice de abstenção por conta disso, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que organiza o pleito, divulgou recomendações ao longo de toda a campanha para reduzir o risco de contágio. Além de manter o distanciamento físico, o órgão sugere às pessoas irem sozinhas às zonas eleitorais, indo em turnos e levando sua própria caneta.

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O medo é justificado. Ao longo da pandemia, o país viveu cenas trágicas, com corpos de vítimas da Covid-19 estendidos pelo chão das ruas ou sendo retirados dentro de suas casas. Ao todo, o Equador teve quase 15 mil mortos pela pandemia e mais de 255 mil contaminados.

Mais de 13 milhões de equatorianos são esperados nas urnas no domingo; eles vão escolher entre 16 candidatos à Presidência e 17 listas nacionais ao Congresso.  Em uma eleição marcada pela ainda palpável influência do ex-presidente Rafael Correa, cujo candidato é o jovem economista Andrés Arauz, quase 83% dos inscritos têm obrigação de votar. Caso contrário, serão multados em US$ 40 (R$ 200), um valor significativo em um país onde o salário-base é de US$ 400 (R$ 2.000) mensais e onde a informalidade do trabalho caracteriza quase metade de todos os empregos. 

A penalidade também ficará pendente para o segundo turno caso nenhum dos candidatos ao Palácio do Carondelet obtenha vantagem suficiente para vencer no primeiro. Para os mesários, que somam mais de 270 mil no país, a multa sobe para US$ 60 (R$ 300). Mas há quem esteja disposto a pagar para não se expor ao coronavírus — não só na hora de votar, mas no caminho até às urnas, no transporte público.

— Teremos uma eleição muito bem organizada, o que permite que não haja um aumento das infecções como vimos em pleitos em outros países — diz Luis Verdesoto, um dos cinco membros do CNE, relembrando as eleições da Bolívia e o plebiscito chileno em outubro. — Há risco principalmente quando há agentes públicos e privados que promovem o medo nas pessoas. No mundo, não existe uma alta correlação entre um processo eleitoral bem organizado e um aumento de abstenção. 

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Nas últimas três eleições presidenciais — o primeiro e único turno de 2013, e os dois turnos de 2017 —, o percentual de abstenção ficou entre 17% e 18%, o menor desde 1992. Para não aumentar o número, uma recomendação também foi feita para votar em turnos. Quem tem o número da carteira de identidade terminado aos pares, deve fazê-lo entre as 6h e o meio-dia. As ímpares, depois, até o fechamento das urnas, às 17h.

Apesar do medo da população, o órgão eleitoral se recusou a adiar as eleições ou estender o horário de votação por mais duras horas para evitar multidões. Segundo o CNE, os municípios ficarão encarregados de manter a ordem fora das escolas, onde são proibidas todas as vendas de alimentos e atividades comerciais, bem como a participação de grupos de pessoas. Multas também poderão ser aplicadas. Dentro das zonas eleitorais, serão as Forças Armadas que deverão definir a capacidade e fazer cumprir as restrições.

Os mais de 410 mil equatorianos que vivem e votam fora do país terão, no entanto, dificuldades adicionais para exercer o direito de voto. Cerca de 12 mil deles residem em territórios onde não há garantias de poder realizar as eleições; a maioria está na Venezuela, devido a “dificuldades de alocação de recursos”, como explicou Enrique Pita, outro membro do CNE, ao jornal local El Universo.

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O Panamá não permitiu que a eleição aconteça no domingo, porque nesse dia há um toque de recolher vigor. A Nicarágua não também não autorizou a votação, assim como o Peru, onde o estado de emergência foi decretado até 14 de fevereiro. 

— Temos sérios problemas no exterior — reconhece Pita.

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