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Sunday, May 9, 2021

De lados opostos, Liga e Movimento 5 Estrelas demonstram estar dispostos a apoiar governo Draghi na Itália

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Decisão final ainda não foi anunciada; ex-presidente do BCE se reuniu com as duas legendas neste sábado, encerrando primeira rodada de conversas para formar coalizão

O Globo e El País

06/02/2021 – 11:48
/ Atualizado em 06/02/2021 – 12:22

Matteo Salvini, líder do partido de extrema direita Liga, fala com repórteres após encontro com ex-presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, que tenta formar novo governo na Itália Foto: VINCENZO PINTO / AFP
Matteo Salvini, líder do partido de extrema direita Liga, fala com repórteres após encontro com ex-presidente do Banco Central Europeu Mario Draghi, que tenta formar novo governo na Itália Foto: VINCENZO PINTO / AFP

ROMA — O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi terminou, neste sábado, a primeira rodada de conversas para formar um novo governo italiano com um ar de otimismo. Após se encontrar com o ex-vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema direita, o economista recebeu um sinal de que poderia contar com seu apoio na formação de uma coalizão suprapartidária. O mesmo aconteceu quando se reuniu com o Movimento 5 Estrelas (M5S), legenda antissistema e que tem hoje a maior bancada do Congresso.   

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Salvini afirmou que seu partido só decidirá na semana que vem se apoiará um governo liderado por Draghi, mas demonstrou supreendente moderação e disse que, durante a conversa, houve muito consenso entre os dois. 

— Ao contrário de outros, não achamos que apenas dizer “não” nos leve a algum lugar. O melhor interesse do país deve vir antes de qualquer interesse pessoal ou partidário — disse Salvini a repórteres após se encontrar com o ex-presidente do BCE. — Nos confortou ouvi-lo [Draghi] falar sobre infraestrutura, crescimento e desenvolvimento. Tivemos meia hora de debate sobre os problemas e a ideia da Itália, que em muitos aspectos coincidem. 

Na última quarta-feira, Draghi aceitou a missão do presidente italiano, Sergio Mattarella, de tentar formar um novo governo depois que o anterior, liderado por Giuseppe Conte, foi derrubado devido ao colapso da coalizão governante. Ao longo da semana, o economista se reuniu com outros partidos do Parlamento, mas deixou para o final as conversas que considerava que seriam mais difíceis. 

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Após o encontro com Salvini, Draghi se encontrou por longas horas com o líder e fundador do M5S, o ex-comediante Beppe Grillo, e outros membros do partido. Embora Grillo não tenha dado nenhuma declaração depois da conversa, seus correligionários se mostraram dispostos a apoiar o novo Executivo, desde que algumas de suas principais pauta, como o meio ambiente, sejam respeitadas e que a Renda Cidadã, espécie de Bolsa Família na Itália, não seja fragilizada.

No entanto, ainda que o saldo das conversas de hoje tenha sido positivo, o ex-presidente do BCE ainda terá um duro caminho até conseguir formar uma coalizão ampla. Isso porque muitos partidos, entre eles o M5S, já se posicionaram afirmando que não fariam um governo com a Liga. A legenda de extrema direita também já declarou que não vai ficar ao lado do movimento antissistema. 

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Ainda não está claro como ficará o cenário após esses dois partidos terem demostrado interesse de apoiar Draghi. O economista fará na semana que vem uma nova rodada de conversa com outras legendas do Parlamento. O objetivo é que nessas novas reuniões se discuta como superar quaisquer vetos mútuos em relação à composição da coalizão governista e propostas de políticas.

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