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Sunday, October 17, 2021

Crise econômica e pandemia empurram classes média e alta para o interior

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Famílias mais abastadas deixam as metrópoles brasileiras em busca de uma vida mais tranquila — e aquecem a economia das cidades menores

Henrique Gomes Batista e Sérgio Matsuura

19/02/2021 – 07:39
/ Atualizado em 19/02/2021 – 07:41

Na casa de Valinhos, Eduardo, Mayra e os dois filhos aproveitam o espaço maior e a vida mais tranquila, menos dependente de celulares e tablets. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Na casa de Valinhos, Eduardo, Mayra e os dois filhos aproveitam o espaço maior e a vida mais tranquila, menos dependente de celulares e tablets. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Nos primeiros dez dias de 2021, Eduardo Xambre Henrique Filho, de 10 anos, não tocou em seu videogame ou tablet. Preferiu andar de bicicleta e curtir o bosque da nova residência da família, que trocou um confortável apartamento no Brooklin, bairro nobre da Zona Sul paulistana, por uma casa em um condomínio fechado na região de Valinhos, a 90 quilômetros da capital paulista.

A mudança de comportamento do filho foi um dos elementos que fizeram seu pai, o diretor comercial Eduardo Xambre Henrique, de 41 anos, aproveitar as vantagens do home office para buscar qualidade de vida longe da metrópole, movimento que tem se intensificado — sobretudo quando se trata da população com maior poder aquisitivo. Após um 2020 de “test drive” no campo ou na praia, durante a quarentena, a mudança definitiva de CEP já provoca transformações no mercado imobiliário e na dinâmica das cidades menores.

As razões para a mudança são variadas. Além da qualidade de vida, há a busca por mais segurança, mais espaço e conforto diante da possibilidade de novos períodos de confinamento e até mesmo a economia de gastos em razão do menor custo de vida no interior. O movimento, mais pronunciado em São Paulo e no Rio de Janeiro, também ocorre em capitais menores, como Porto Alegre, Natal e Fortaleza.

Vista aérea da cidade de Gramado, na serra gaúcha, que tem atraído moradores de Porto Alegre que buscam vida mais tranquila e segurança. Foto: Cid Guedes / Getty Images / iStockphoto
Vista aérea da cidade de Gramado, na serra gaúcha, que tem atraído moradores de Porto Alegre que buscam vida mais tranquila e segurança. Foto: Cid Guedes / Getty Images / iStockphoto

Todos os motivos da retirada, no entanto, só puderam ser viabilizados devido a uma mudança maior: a do mercado de trabalho, que agora deve adotar, na maioria dos setores, o padrão híbrido, aliando os modelos presencial e remoto. “Eu tinha essa vontade de morar no interior há alguns anos, mas a questão de home office ajudou a impulsionar a decisão”, afirmou Henrique, que trabalha em uma multinacional europeia e adquiriu uma casa que tem mais que o dobro da área útil de seu apartamento, além de uma vasta área verde. “São Paulo agora é para fazer turismo, visitar amigos e familiares.”

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