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Sunday, May 16, 2021

Conheça Fran Jones, a tenista britânica que superou deficiências para chegar a um Grand Slam

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Jovem de 20 anos nasceu com quatro dedos em cada mão e espera ser inspiração para futuras jogadoras

Tatiana Furtado

08/02/2021 – 04:00

A britânica Francesca Jones em ação no torneio de Melbourne Foto: WILLIAM WEST / AFP
A britânica Francesca Jones em ação no torneio de Melbourne Foto: WILLIAM WEST / AFP

O Australian Open começou no domingo à noite de olho nas estrelas Rafael Nadal, Novak Djokovic e Serena Williams – que continua na saga de conquistar o 24º Grand Slam na carreira e se tornar a maior vencedora ao lado de Margaret Court. Mas há uma jovem tenista que merece atenção pelo feito já alcançado até o momento. A britânica Francesca Jones, de 20 anos, disputará seu primeiro Grand Slam. Pela idade e sua colocação (número 241 do ranking da WTA), nada deveria chamar a atenção para Jones. Não fosse o fato de ter ouvido de médicos e professores, na infância, que jamais se tornaria uma tenista profissional por causa da sua condição física.

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Fran Jones, como é conhecida no circuito, nasceu com displasia ectrodactilia ectodérmica, uma síndrome que afeta as mãos e os pés. A britânica tem quatro dedos em cada mão e apenas três dedos no pé direito, o que usa como apoio no jogo. Nada disso a impediu de na madrugada de terça-feira fazer sua estreia no Australian Open, contra a australiana Shelby Rogers.

O caminho até aqui, no entanto, não foi fácil. Jones passou por várias cirurgias nas mãos e nos pés desde a infância. O tênis entrou na sua vida apenas como uma diversão de criança e para perda de peso. Mas aos 9 anos ela já deixava a Inglaterra para se dedicar ao esporte. Foi para academia Sánchez-Casals, em Barcelona. Lá começou a trilhar o caminho comum a tantas meninas que sonham com o tênis profissional. Com algumas diferenças. Aos 14 anos, perdeu os juniores de Wimbledon, pois precisou passar por três operações. No ano seguinte, lá estava ela.

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Jones não se incomoda que seja definida por sua condição física. Ela se orgulha por ter superado o que seriam limitações aos olhos alheios. Sabe que, em alguns aspectos, precisa reduzir a diferença a outras atletas. Mas o mais importante é o exemplo que dá a milhares de crianças.

“A razão pela qual comecei a me comprometer como profissional e a querer conquistar grandes coisas no tênis é porque eu quero que as pessoas, com sorte, tirem pontos positivos do que consegui fazer até agora e se inspirem. Seria ótimo ter esse impacto positivo sobre as crianças mais novas e pessoas que estão em posições semelhantes às minhas”, disse Jones em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”.

E é isso que Jones representa não só para as mais jovens. A brasileira Luisa Stefani, que também está na Austrália, a viu jogar na qualificatória que deu a vaga à britânica.

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– Ela é claramente uma inspiração. Ela não se deixa abalar pelas deficiências físicas. É inspiracional ter alguém por perto assim que faz a mesma coisa que estamos fazendo. É uma joia para o nosso esporte de que é possível sim superar as dificuldades – diz.

Jones, inclusive, aproveitou a parada dos torneios por causa da pandemia para reduzir a distância física entre ela e as adversárias. Enquanto a academia de tênis esteve fechada no ano passado, ela reforçou o trabalho de força e musculação de braços e pernas. No segundo semestre do ano passado, também teve a chance de enfrentar jogadoras mmais bem qualificadas em competições menores uma vez que os grandes torneios foram cancelados ou adiados.

– Se alguém for vê-la jogar sem saber da condição física dela, não vai ver diferença alguma nos gestos e na técnica. Na execução dos golpes, ela não precisou de adaptação técnica. O maior cuidado que ela precisa ter diante das particularidades é com a força, é trabalhar tendões e músculos. Ela pode ter mais problemas com a falta e dedos nos pés pois precisa de compensação grande para fazer os movimentos de pernas – avalia o professor de tênis Carlos Omaki, acrescentando. – Ela tem tido ótimos resultados mas nada fora do padrão. Agora, na chave principal de um Grand Slam ela pode fazer algo fora do normal se tiver um crescimento meteórico. O que se percebe nela é uma garra pessoal diferente.

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