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Sunday, April 11, 2021

Com vacinação lenta, União Europeia decide manter restrições de viagens dentro e para fora do bloco

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BRUXELAS — A segunda cúpula da União Europeia (UE) sobre a pandemia da Covid-19 desde o início do ano, que acontece nesta quinta-feira, terminará com uma extensão das restrições a todas as viagens consideradas não essenciais, tanto entre os países-membros bloco quanto deles para um terceiro país. A lentidão da vacinação e o medo de novas variantes do vírus obrigam os 27 integrantes da UE a restringir as viagens entre fronteiras e multiplicam as desconfianças no interior do bloco.

Os membros discutem também a demanda de parceiros do Sul, como Espanha ou Grécia, para introduzir um “certificado de vacinação” que permita reativar roteiros turísticos. No momento, Alemanha e França se recusam a aprová-lo e preferem esperar que a taxa de vacinação avance significativamente antes de considerar esse tipo de passaporte sanitário.

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Desde o último dia 1º de fevereiro, a UE recomenda o isolamento de áreas com mais de 500 casos de coronavírus por 100 mil habitantes, e medidas preventivas, como teste prévio ou quarentena, para áreas com mais de 150 casos. Esses critérios levaram a limitações significativas de movimento dentro da UE, e a cúpula desta quinta-feira defende a manutenção de um controle estrito.

“A situação epidemiológica continua grave e as novas variantes representam um desafio adicional”, diz o rascunho da declaração que o Conselho Europeu espera aprovar nesta quinta. O texto acrescenta que “por enquanto, as viagens não essenciais precisam ser restritas”. Os países reafirmam sua intenção de manter fortes restrições ao mesmo tempo em que redobram os esforços para acelerar a entrega de vacinas.

A cúpula foi convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, num momento delicado da pandemia na Europa devido ao aparecimento de novas variantes do vírus e ao baixo nível de vacinação alcançado até agora. A falta de imunização é agravada pela pouco controle na vigilância da propagação de variantes que estão se tornando cada vez mais dominantes e cuja presença causa desconfiança entre os parceiros do bloco. Quase toda a Europa está acima do limite de 150 casos por 100 mil habitantes e apenas algumas partes de Alemanha, Finlândia, Romênia ou Grécia conseguiram diminuir para menos de 50 casos.

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Países como Alemanha, França, Espanha, Portugal, Bélgica, entre outros, introduziram controles de fronteira para tentar conter as infecções. Em alguns casos, como na Bélgica, a proibição de entrada e saída do país é praticamente geral, exceto no caso de viagens consideradas essenciais. A Comissão Europeia solicitou explicações por escrito esta semana a seis países (Alemanha, Bélgica, Suécia, Hungria, Finlândia e Dinamarca), considerando que impõem restrições desproporcionais que podem afetar a livre circulação, especialmente de mercadorias, e prejudicar o mercado interno.

Também nesta quinta, a França anunciou que aplicaria novas restrições contra a Covid-19 para a área ao redor de sua fronteira com a Alemanha, enquanto o governo do presidente Emmanuel Macron tenta conter uma onda de variantes do coronavírus na região francesa de Moselle.

Os trabalhadores que atravessam a fronteira, e que tinham isenções até agora, precisarão apresentar testes de PCR negativos para passar se viajam por motivos não relacionados ao seu trabalho, disseram os ministros da Saúde e de Assuntos Europeus da França em um comunicado conjunto.

O home office na área também será reforçado, disseram eles, depois que a França e a Alemanha disseram no início desta semana que estavam tentando encontrar maneiras de evitar o fechamento de sua fronteira comum.

A França resistiu a uma nova quarentena nacional para controlar mais variantes contagiosas do coronavírus, mas começou a endurecer as restrições localmente, incluindo na área de Dunquerque, no Norte do país, conforme os casos aumentam.

Vacinação

A falta de rastreamento das novas variantes torna difícil o regresso à normalidade. A Comissão Europeia recomenda que pelo menos 5% dos testes positivos sejam sequenciados e, de preferência, até 10%, para o rastreio de novas cepas. Mas, de acordo com os últimos dados do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), apenas um país da UE, a Dinamarca, chega a 10%. Sem sequenciamento e com baixíssima taxa de vacinação, o retorno do continente à normalidade parece ainda muito distante.

“A nossa prioridade continua a ser acelerar a vacinação em toda a Europa”, afirma Michel na convocatória da cúpula.

Em média, apenas 2,3% da população da UE recebeu ambas as doses de qualquer uma das vacinas licenciadas até agora (BioNTech- Pfizer, Moderna e AstraZeneca), de acordo com dados do ECDC.

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Os números europeus estão longe dos americanos, que já vacinaram 6% da população com duas doses e administram 1,5 milhão de vacinas por dia, o dobro da UE (778 mil), segundo dados compilados pela agência Bloomberg.  O Reino Unido, que optou por priorizar a primeira dose, já imunizou 26,8% da população, mas apenas 1% recebeu as duas doses, segundo a Bloomberg.

Os governos europeus atribuíram inicialmente a lentidão das campanhas ao alegado atraso da Agência Europeia de Medicamentos na autorização das vacinas. E depois à falta de garantias de abastecimento nos contratos de reserva assinados pela Comissão Europeia com as empresas farmacêuticas. Mas, à medida que a cadeia de produção e abastecimento se normaliza, as autoridades nacionais dos países mais atrasados enfrentam sua própria responsabilidade pelo lento lançamento das campanhas.

 A Comissão estima que serão recebidas cercade 300 milhões de doses no segundo trimestre, que, somadas aos 100 milhões do primeiro trimestre, já cobririam cerca de 200 milhões de habitantes (para uma população de 450 milhões).

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Além da dificuldade logística de uma campanha de vacinação sem precedentes, há o problema da desconfiança da população em alguns países. Como resultado de todas as dificuldades de fabricação, distribuição e percepção da opinião pública, a taxa de vacinação está abaixo da média europeia (2,3%) em 10 países da UE (Bulgária, Croácia, Dinamarca, Finlândia, França, Letônia, Luxemburgo, Holanda, Romênia e Eslováquia), de acordo com dados do ECDC.

Turismo

A lenta imunização não permite, segundo fontes ouvidas pelo jornal El País, abordar o debate sobre os chamados passaportes ou certificados de vacinação que permitiriam viajar sem passar por testes ou quarentenas. Países onde existem grupos importantes de resistência à vacinação, como Alemanha ou França, temem que o chamado passaporte seja contraproducente no momento, pois pode dar a impressão de que é uma forma de obrigar as pessoas a se imunizarem.

Bruxelas também quer primeiro tirar algumas dúvidas, como a capacidade de transmissão do vírus de pessoas vacinadas ou a resistência do antídoto a novas variantes. As instituições comunitárias também desejam coordenar o desenho do passaporte com a Organização Mundial da Saúde para que o futuro salvo-conduto possa ser utilizado dentro e fora da UE.

Mas os países mais dependentes do turismo, como Grécia ou Chipre, começaram a negociar seus próprios corredores teoricamente seguros. Atenas e Nicósia chegaram a um acordo com Israel no início do mês para permitir a visita de cidadãos israelenses já vacinados, aproveitando o fato de o país ter a maior taxa de vacinação do mundo. A abertura é potencialmente arriscada porque a maior parte da população na Grécia e em Chipre ainda não está vacinada (pouco mais de 2,5% receberam as duas punções). Outros países, como a Dinamarca, anunciaram que vão introduzir um passaporte para facilitar a saída para o exterior de seus cidadãos.

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