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Tuesday, October 19, 2021

Com chances mínimas de condenar Trump, democratas apostam em associar republicano à violência

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Democratas querem colar a imagem e os discursos de Trump à invasão do Capitólio no julgamento do impeachment, que começa nesta terça-feira, enquanto defesa do ex-presidente questiona legalidade do processo

O Globo e agências internacionais

09/02/2021 – 03:30

Líder da maioria democrata no Senado, Charles Schumer chega ao Capitólio na véspera do início do julgamento do impeachment de Trump Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP
Líder da maioria democrata no Senado, Charles Schumer chega ao Capitólio na véspera do início do julgamento do impeachment de Trump Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

WASHINGTON — Pela primeira vez na História, um presidente dos EUA enfrenta, a partir desta terça-feira, um segundo processo de impeachment relacionado ao seu mandato. Donald Trump, agora fora da Casa Branca, é acusado de incitar seus apoiadores a invadir o Capitólio, no dia 6 de janeiro, em um ataque que deixou cinco mortos e abalou o cenário político do país.

Tal como no primeiro julgamento, em fevereiro do ano passado, as chances de Trump ser condenado, algo inédito nos EUA, são pequenas: para ser considerado culpado, são necessários os votos de 67 senadores, ou seja, 17 republicanos teriam que votar contra o partido, e até agora apenas cinco se mostraram dispostos a tal.

Para mudar o cenário de uma derrota esperada, os democratas moldam sua estratégia para tornar o julgamento didático, mostrando como as palavras de Donald Trump questionando a lisura da eleição de novembro e incitando seus apoiadores a “irem para o Congresso”, em comício no dia 6 de janeiro, foram os estopins para a invasão posterior.

Ajuda interna:Depois de ataque ao Capitólio, laços de congressistas com grupos extremistas começam a ser investigados

Como revelou ao New York Times, o deputado James Raskin, principal acusador no caso, foram criados vídeos associando discursos e atos de Donald Trump a episódios de violência. O material, que foi comparado a séries de ação, inclui episódios como a conversa entre o ex-presidente e o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, onde pede às autoridades locais que “achem votos” para reverter a vitória de Joe Biden no estado.

Os acusadores reconhecem que o foco central será o comício que o então presidente fez no dia 6 de janeiro, atacando a confirmação da vitória de Biden que seria feita pelos congressistas horas depois. Para eles, ao apontar falsamente ilegalidades na votação e pedir que os senadores e deputados republicanos se recusassem a confirmar os votos na eleição presidencial, Trump deu seu apoio a um ataque sem precedentes na História recente dos EUA.

— Mesmo com esse julgamento, onde os próprios senadores são testemunhas, é muito importante contar toda a história — declarou ao New York Times o deputado democrata Adam Schiff, que integra a acusação. — Isso não diz respeito apenas a um dia, diz respeito à conduta de um presidente que usou seu cargo para interferir com a transferência pacífica de poder.

Contudo, os acusadores ainda não fecharam questão sobre a participação de testemunhas. O próprio Trump foi chamado a depor, mas já recusou o convite, e o tema divide opiniões. Se por um lado a convocação de nomes como o de Brad Raffensperger poderia fortalecer a narrativa contra Trump no plenário e junto ao público em geral, trazer testemunhas esticaria o julgamento em alguns dias ou mesmo semanas, atrapalhando os planos da Casa Branca para pôr em votação o quanto antes propostas prioritárias do governo Biden.

— Se eles querem chamar testemunhas, isso vai prolongar, com certeza. Acho que você está falando em empurrar o julgamento para a próxima semana ou a outra semana, uma vez que os dois lados terão essa opção disponível — afirmou o vice-líder da minoria republicana no Senado, John Thune, ao site Politico.

‘Teatro político’

Apesar de poderem chamar testemunhas, os advogados que defendem Trump não sinalizam essa linha de ação, preferindo questionar a legalidade do processo e rejeitar as acusações.

Em novo documento entregue ao Senado com as linhas principais da defesa, Bruce Castor e David Schoen acusam os democratas de usar o impeachment para criar um “teatro político” contra uma pessoa que não ocupa mais o cargo — Trump e aliados apontam uma ilegalidade no julgamento, afirmando que o Senado pode julgar pessoas que estejam em cargos federais, e não aqueles que já deixaram esses postos.

“Ao invés de curar a nação, ou ao menos processar os malfeitores que atacaram o Capitólio, a presidente da Câmara e seus aliados tentaram usar o caos daquele momento para ganho político próprio”, diz o briefing entregue pelos advogados nesta segunda-feira.

Schoen e Castor reforçam ainda a ideia de que o uso da palavra “luta” em seu discurso no dia 6 de janeiro foi “metafórico”, e que ele pedia que as pessoas usassem suas vozes para que fossem ouvidas. Eles declaram também que o ex-presidente estava protegido pela Primeira Emenda da Constituição, que dispõe sobre a liberdade de expressão, ao questionar a lisura da eleição presidencial do ano passado, e por isso não deveria ser processado.

“Caracterizar essas declarações como ‘incitação à insurreição’ é ignorar, de forma ampla, o resto do discurso de Trump naquele dia, incluindo seu pedido para que os apoiadores ‘pacificamente fizessem suas vozes serem ouvidas’”, diz o documento.

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