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Tuesday, May 18, 2021

Chile tem protestos violentos após morte de artista de rua por policial

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Prédios públicos foram incendiados durante manifestações; presidente Sebastián Piñera convocou reunião de emergência para tratar do caso

O Globo e agências internacionais

06/02/2021 – 18:04
/ Atualizado em 06/02/2021 – 18:58

Prédio público queima durante um protesto depois que um policial matou um malabarista de rua em plena luz do dia em Panguipulli. Foto: STRINGER / REUTERS
Prédio público queima durante um protesto depois que um policial matou um malabarista de rua em plena luz do dia em Panguipulli. Foto: STRINGER / REUTERS

PANGUIPULLI, CHILE — Uma série de manifestações ocorreu na região mapuche, no Sul do Chile, após a morte de um artista de rua por um policial durante uma abordagem na noite da última sexta-feira. Vários prédios públicos da comuna de Panguipulli, entre eles o da prefeitura, foram incendiados durante os protestos. A repercussão negativa levou o presidente Sebastián Piñera a convocar uma reunião de emergência para tratar do caso.

O artista Francisco Martínez foi morto com tiros à queima roupa durante uma abordagem para a verificação de seus documentos de identidade.  O jovem teria se recusado e uma discussão entre ele e os dois policiais começou. Um dos agentes atirou na direção de seus pés, como forma de advertência. O artista investiu contra o policial,  que reagiu e o jogou no chão. Um vídeo da ação violenta rapidamente repercutiu nas redes sociais, contribuindo para aumentar a indignação no país.

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Além da sede municipal, que ainda estava em chamas no começo deste sábado, outros 10 prédios públicos também foram atingidos, como o tribunal de polícia local e a sede dos Correios.

O policial, cuja identidade está sendo mantida em sigilo, foi preso ainda na sexta-feira. Ele foi levado a um tribunal, no qual foi determinada sua detenção até a próxima segunda-feira, quando o Ministério Público apresentará as acusações contra ele e será iniciada a investigação do caso.

Já a polícia alegou que o tiro foi dado em “legítima defesa”. Segundo a corporação, os tradicionais carabineiros chilenos, o artista carregava um “tipo de faca, semelhante a um facão”, o que os obrigou a abordá-lo. No entanto, de acordo com testemunhas, Martínez estava com armas de circo, que possuem lâminas cegas para evitar riscos de ferimentos.

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O prefeito de Panguipulli, Rodrigo Valdivia, disse à mídia local que Martínez era uma “pessoa pacífica” que estava em situação de rua. Ele lamentou a conduta dos policiais. Em entrevista ao jornal chileno El Mercúrio, o prefeito explicou que, apesar dos estragos gerados pelos protestos, não houve prejuízo aos postos de vacinação para a Covid-19.

O ministro do Interior, Rodrigo Delgado, ordenou uma investigação completa dos fatos ao mesmo tempo em que condenou os incêndios em prédios públicos.

— Lamentamos profundamente que uma operação policial termine em morte — disse Delgado em Santiago.

A oposição também criticou a violência policial e exigiu a  reestruturação da instituição. Em um comunicado, o Partido Socialista condenou “veementemente o crime”, além de criticar  o “uso desproporcional e injustificado da força” num episódio que não é um acontecimento isolado.

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Em outubro do ano passado, um jovem de 16 anos que se manifestava em Santiago foi ferido após cair de uma altura de sete metros de uma ponte em direção ao rio Mapocho, principal rio da capital chilena, pela ação de um policial acusado de tentativa de homicídio. Semanas depois, o governo mudou a direção da polícia para acalmar, sem sucesso, a agitação social.

O caso de Martínez contribui para diminuir a, já em queda, popularidade da polícia miltar chilena. A corporação foi criticada pela violência de seus membros e acusada de violação dos direitos humanos no âmbito de suas ações para reprimir as manifestações sociais que eclodiram no país em outubro de 2019.

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