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Monday, September 27, 2021

Campanha noturna contra a Covid-19 com cornetti e expresso em Roma vacina migrantes e sem-teto

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Evento com contornos festivos teve como alvo a população que não está registrada no serviço nacional de saúde da Itália

O Globo

05/07/2021 – 10:36

Pessoas em situação de rua, imigrantes sem documentos, trabalhadores e estudantes estrangeiros foram o alvo da campanha de vacinação no hospital Santo Spirito, em Roma Foto: Reprodução
Pessoas em situação de rua, imigrantes sem documentos, trabalhadores e estudantes estrangeiros foram o alvo da campanha de vacinação no hospital Santo Spirito, em Roma Foto: Reprodução

NOVA YORK — O hospital Santo Spirito, em Roma, recebeu cerca de 900 postulantes à vacina contra a Covid-19 na noite do último sábado (3) e nas primeiras horas deste domingo (4). Pessoas em situação de rua, imigrantes sem documentos, trabalhadores e estudantes estrangeiros, sem registro no serviço nacional de saúde, puderam receber o imunizante. No pátio onde as doses foram aplicadas, ao som de jazz, foram distribuídos café expresso e cornetti.

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O objetivo do evento de vacinação noturno e com contornos festivos, segundo o jornal The New York Times, foi atender “as pessoas marginalizadas, as mais frágeis”, disse Angelo Tanese, diretor-geral da maior unidade local de saúde, ASL Roma 1. A iniciativa, batizada de Open Night, foi organizada pelas autoridades de saúde na região de Lazio, que inclui Roma.

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Enquanto uma fila se formava do lado de fora, os vacinados se juntavam no interior do hospital do século XII, um dos mais antigos da Europa, e aproveitavam o jazz tocado por um pianista. A intenção era criar um ambiente festivo, que atraísse as pessoas para a vacinação. Na manhã de domingo, enquanto as doses eram aplicadas, foram distribuídos cornetti, o croissant italiano, e café expresso.

Segundo o The New York Times, entre os presentes estavam um funcionário peruano das Nações Unidas, um casal chinês, dois estudantes de cerca de 20 anos do Cazaquistão, uma universitária de Ruanda e uma cuidadora brasileira, preocupada porque ainda não havia sido imunizada.

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O imunizante inoculado foi o produzido pela Johnson & Johnson, de dose única – o que melhor funciona com pessoas sem cadastro, que podem não retornar para a segunda dose. Cerca de 80% dos presentes no evento, segundo o NYT, eram migrantes sem documentos.

Para atrair a população à vacinação, foram distribuídos cornetti, o croissant italiano, e café expresso, ao som de jazz Foto: Reprodução
Para atrair a população à vacinação, foram distribuídos cornetti, o croissant italiano, e café expresso, ao som de jazz Foto: Reprodução

De acordo com Gianfranco Costanzo, diretor de saúde do Instituto Nacional de Saúde, Migração e Pobreza da Itália, a estimativa é de que haja ao menos 700 mil pessoas no país sem registro no serviço nacional de saúde e, portanto, sem acesso à vacinação. Para ele, é ainda mais importante vacinar o mais rápido possível por causa de novas variantes e do aumento no número de casos da Covid-19.

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— Esses são números sérios, especialmente em uma pandemia. Mas é também uma questão de direitos, porque o nosso serviço de saúde garante que todos têm o direito à vacinação, independentemente da sua situação administrativa — afirmou ao The New York Times.

Para o Dr. Alessandro Verona, que trabalha em uma instituição de caridade com pessoas vulneráveis, a pandemia tornou mais explícitas as limitações dos serviços regionais de saúde italianos. A rede que organizou a campanha no hospital Santo Spirito, a ASL Roma 1, tem trabalhado com organizações de voluntários para chegar aos grupos marginalizados.

— Isso criou um caos administrativo para as pessoas que estão fora do sistema. O mundo mudou, as pessoas se mudam e os marginalizados precisam ser vistos como pessoas que precisam ser protegidas. Temos que passar do conceito de uma população de difícil acesso para um sistema nacional de saúde de fácil acesso — disse Verona ao NYT.

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