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Monday, April 12, 2021

Botafogo cai querendo virar S/A: na Série B, há exemplos do que deu certo e errado

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Resultados de Cuiabá e Botafogo-SP trazem contraste entre clubes que são empresa

Igor Siqueira

08/02/2021 – 05:10

Durcesio Mello, presidente do Botafogo Foto: Vitor Silva/Botafogo
Durcesio Mello, presidente do Botafogo Foto: Vitor Silva/Botafogo

O Botafogo passou 2020 sonhando em virar S/A e foi rebaixado sem conseguir. O caos administrativo do time que nesta segunda-feira enfrenta o Grêmio, às 20h, é parte indissociável do enredo. Mas considerando apenas a estrutura societária, não há garantia invariável de sucesso esportivo no modelo empresarial.

Botafogo rebaixado:por que deu tudo errado

Na Série A, o Bragantino é um exemplo positivo. E há outros clubes na divisão de acesso que são empresas. Enquanto o Cuiabá provou o doce gosto de subir à Série A, o outro Botafogo, de Ribeirão Preto, que já é S/A, caiu para a Série C.

No alvinegro, o modelo 2 de captação ainda resiste. O novo presidente, Durcesio Mello, se alterna entre realismo e otimismo. A renegociação das dívidas com credores precisa vir acompanhada do fim dos trâmites burocráticos junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A tentativa é buscar investidores estrangeiros.

O contexto do xará paulista vai mais ao encontro do que o Botafogo almeja para si: um clube originalmente associativo, que tem quem banque a gestão do futebol. O Cuiabá, por sua vez, já nasceu empresa. Tem dono, sem rotatividade na presidência ou conselho deliberativo para gerar pressão política. Ele prova a melhor face do modelo empresa.

— A troca de comando que existe nos clubes é terrível para um projeto a longo prazo. As filosofias mudam muito rápido. Nosso modelo contribui muito para um bom trabalho — avalia Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá.

O time do Mato Grosso, inclusive, fez parte da trajetória do Bota em 2020: eliminou o alvinegro nas oitavas de final da Copa do Brasil. A derrota na ida foi o estopim para a demissão do técnico Bruno Lazaroni.

O Cuiabá ficou em quarto na Série B. O orçamento do ano foi de R$ 21 milhões. Na avaliação da diretoria, a campanha deu certo porque o planejamento começou em outubro de 2019. A largada com Marcelo Chamusca foi muito boa e, apesar da saída dele rumo ao Fortaleza, Allan Aal completou o serviço.

Em termos de receita, Cristiano Dresch cita que ainda precisa de mais detalhes para estimar como será o ano de estreia na elite.

— O Cuiabá não é um clube vendedor, vamos passar por uma reformulação grande no sócio-torcedor. Não temos uma categoria de base forte. É difícil calcular esse crescimento. Temos o poder de decisão muito rápido, um quadro de funcionários enxuto. A Série A será bastante desafiadora. Precisaremos evoluir — disse ele.

Na outra ponta da Série B, em penúltimo, ficou o Botafogo-SP. Desde maio de 2018, a divisão acionária é 60% para o Botafogo Futebol Clube e 40% pela Trex Holding, empresa de investimentos liderada por Adalberto Baptista, que adquiriu a cota por R$ 8 milhões.

Diretor de futebol do São Paulo em 2013, Baptista preside o conselho de administração do Botafogo S/A. Uma auditoria apontou que a operação entre junho de 2018 e dezembro de 2019 teve R$ 15,5 milhões de déficit. Neste ano, a S/A trouxe Paulo Pelaipe para ser o executivo do futebol.

— O clube está se reformulando como um todo. Mas teve uma infelicidade na montagem da equipe. Adalberto está há dois anos aqui. Ainda temos muito chão pela frente para organizar. O clube está se recuperando. Não é da noite para o dia — avaliou ele.

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