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Monday, August 2, 2021

Biden anuncia sanções contra Mianmar após golpe de Estado

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Presidente assinou ordem executiva que abre caminho para punições aos militares, além de congelar US$ 1 bilhão de fundos do governo birmanês nos Estados Unidos

O Globo. com agências internacionais

10/02/2021 – 15:39
/ Atualizado em 10/02/2021 – 16:32

Presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre a situação em Mianmar no em Washington. Foto: SAUL LOEB / AFP
Presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre a situação em Mianmar no em Washington. Foto: SAUL LOEB / AFP

WASHINGTON — O presidente americano Joe Biden anunciou nesta quarta-feira um decreto executivo que abre caminho para sanções contra os militares de Mianmar responsáveis pelo golpe de Estado que depôs a líder civil Aung San Suu Kyi  no início do mês, e a qualquer entidade ligada a eles. Biden afirmou que a ordem executiva permitirá que seu governo sancione de forma imediata não só os líderes do golpe, como “seus interesses comerciais”. Novas medidas ainda podem ser tomadas.

Biden também anunciou um congelamento de US $ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões) de fundos do governo de Mianmar mantidos nos Estados Unidos, impedindo os generais de acessar o dinheiro. Ele pediu a liberação imediata de Suu Kyi.

Contexto: Após prisão de líderes civis, militares assumem poder e anunciam estado de emergência em Mianmar

— Identificaremos uma primeira rodada de metas esta semana e também imporemos fortes controles de exportação. Estamos congelando ativos dos EUA que beneficiam o governo birmanês, enquanto mantemos nosso apoio à saúde, grupos da sociedade civil e outras áreas que beneficiam diretamente o povo  — disse Biden.

Um dos principais alvos deve ser  Min Aung Hlaing, o comandante da junta militar que assumiu o poder. Ele e outros generais já estão sob sanções impostas pelos EUA em 2019 por abusos contra muçulmanos Rohingya e outras minorias. Outros dois conglomerados militares devem ser afetados. A Myanmar Economic Holdings Limited e a Myanmar Economic Corp, duas grandes holdings com investimentos que abrangem vários setores, incluindo bancos, joias, cobre, telecomunicações e roupas.

Leia Ainda: Golpe em Mianmar expõe fragilidade da democracia no Sudeste Asiático

O governo Biden ja vinha trabalhando  para formar uma resposta internacional à crise, inclusive com aliados na Ásia que têm laços mais estreitos com Mianmar e seus militares. O secretário de Estado Antony Blinken e o representante japonês Toshimitsu Motegi concordaram em pedir às autoridades birmanesas que parem imediatamente com a violência contra os manifestantes, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Japão.

As tratativas também ocorrem no Congresso. O conselheiro de segurança nacional, Jake Sullivan, falou com o líder republicano do Senado, Mitch McConnell, que tem um interesse antigo no país e uma relação próxima com Suu Kyi, segundo disse um assessor de McConnell.

Novos atos

Nesta quarta-feira, novos protestos voltaram a ocorrer no país, mesmo com o assassinato de uma jovem no dia anterior. Milhares de pessoas se juntaram às manifestações em Yangon, enquanto na capital, Naypyitaw, centenas de funcionários do governo marcharam em apoio a uma campanha crescente de desobediência civil.

Um grupo de policiais do estado de Kayah, no leste, marchou uniformizado com uma placa que dizia “Não queremos ditadura”, segundo fotos publicadas na mídia. Mais cedo, os soldados ocuparam uma clínica que tratava de manifestantes feridos em Naypyitaw no dia anterior, disse um médico do local.

Mya Thwate Thwate Khaing, de 19 anos, foi a primeira vítima fatal conhecida dos protestos que tentam reverter o golpe de 1º de fevereiro. A adolescente foi baleada quando a polícia atirou para o ar, com a intenção de afastar os manifestantes. Seu irmão, Ye Htut Aung, disse à agência de notícias Reuters que a família – embora apoiasse os protestos – pediu que ela não fosse, mas a jovem insistiu. As forças de segurança afirmaram que só foram usadas armas não letais. Posteriormente, disseram que por causa da agressão dos manifestantes, a polícia “inevitavelmente” teve que atirar, acrescentando que 28 policiais ficaram feridos.

Cronologia:Mianmar, um país sob forte controle militar por décadas

Os manifestantes penduraram um grande retrato de Mya Thwate Thwate Khaing de uma ponte em Yangon.  A Human Rights Watch disse que um homem de 20 anos também ferido por uma bala está em condições estáveis, enquanto os médicos afirmam que três outras pessoas estão sendo tratadas por supostas balas de borracha. Manifestantes também foram feridos em Mandalay e outras cidades.

A presença de jovens vem se tornando uma constante durante os atos, que já são os maiores em quase uma década. Pela primeira vez , os protestos em massa são acompanhados por uma geração que cresceu com maior liberdade, prosperidade e acesso à tecnologia no que continua sendo um dos países mais pobres e restritivos do Sudeste Asiático.

Em seu primeiro pronunciamento à nação, na segunda-feira, Min Aung Hlaing afirmou que novas eleições seriam convocadas, mas sem precisar uma data. Os militares, que impuseram restrições a aglomerações, bloqueios de redes sociais e do acesso à internet, além de um toque de recolher noturno nas maiores cidades, justificaram o golpe alegando fraude em uma eleição de 8 de novembro em que o partido de Suu Kyi, o Liga Nacional para a Democracia (LND) teve uma ampla vitória. No entanto, nem a comissão eleitoral nacional nem os observadores internacionais corroboraram as denúncias das Forças Armadas. O golpe aconteceu no dia em que os deputados eleitos tomariam posse.

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