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Friday, June 18, 2021

Ataques israelenses acentuam crise humanitária em Gaza, dificultando o acesso à água e danificando hospitais

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Segundo a ONU, 52 mil moradores do território foram forçados a se deslocar desde início do confronto; escalada já deixa 213 palestinos mortos, entre eles 61 crianças

O Globo e agências internacionais

18/05/2021 – 10:21
/ Atualizado em 18/05/2021 – 10:35

Palestinos deslocados buscam abrigo em escola da ONU na cidade de Rafah, no Sul do enclave Foto: SAID KHATIB / AFP
Palestinos deslocados buscam abrigo em escola da ONU na cidade de Rafah, no Sul do enclave Foto: SAID KHATIB / AFP

GAZA — Os nove dias de conflito entre Israel e o Hamas acentuam a crise humanitária em Gaza, já crítica antes mesmo da escalada mais recente. Segundo as Nações Unidas, mais de 450 edifícios já foram atingidos, forçando o deslocamento de mais de 52 mil palestinos. Ao menos seis hospitais e nove clínicas de atendimento básico foram danificados, e prédios que abrigavam escritórios de 23 veículos da imprensa foram destruídos.

Duzentos e treze palestinos morreram desde o último dia 10, incluindo 61 crianças, e mais de 1,5 mil ficaram feridos. Ao menos doze pessoas foram mortas em Israel, incluindo dois trabalhadores estrangeiros atingidos por um foguete do Hamas nesta terça-feira.

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Entre as instalações que tiveram suas operações comprometidas pelos bombardeios israelenses está uma planta de dessalinização que permitia o fornecimento de água, algo já escasso no enclave, para 250 mil pessoas. Ao todo, cerca de 800 mil palestinos tiveram seu acesso à água comprometido.  

Imensa nuvem de fumaça sobre em local atingido por ataque aéreo israelense ao complexo de Hanadi na Cidade de Gaza Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Imensa nuvem de fumaça sobre em local atingido por ataque aéreo israelense ao complexo de Hanadi na Cidade de Gaza Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Incêndio na refinaria de Ashkelon, atingida por foguetes do Hamas no dia anterior, na cidade no sul de Israel, perto da Faixa de Gaza Foto: JACK GUEZ / AFP
Incêndio na refinaria de Ashkelon, atingida por foguetes do Hamas no dia anterior, na cidade no sul de Israel, perto da Faixa de Gaza Foto: JACK GUEZ / AFP
Mulheres palestinas verificam os danos dentro de um apartamento em um prédio fortemente danificado na Cidade de Gaza Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Mulheres palestinas verificam os danos dentro de um apartamento em um prédio fortemente danificado na Cidade de Gaza Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Cratera na rua principal da Cidade de Gaza, após ataques aéreos israelenses no território comandado pelo Hamas durante a noite Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Cratera na rua principal da Cidade de Gaza, após ataques aéreos israelenses no território comandado pelo Hamas durante a noite Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Torre Al-Jawhara na Cidade de Gaza, foi alvo de ataques aéreos israelenses durante a noite Foto: ASHRAF AMRA / AFP
Torre Al-Jawhara na Cidade de Gaza, foi alvo de ataques aéreos israelenses durante a noite Foto: ASHRAF AMRA / AFP
Incêndio logo ao amanhecer em Khan Yunish, após um ataque aéreo israelense contra alvos no sul da Faixa de Gaza Foto: YOUSSEF MASSOUD / AFP
Incêndio logo ao amanhecer em Khan Yunish, após um ataque aéreo israelense contra alvos no sul da Faixa de Gaza Foto: YOUSSEF MASSOUD / AFP
Raios de luz são vistos quando o sistema anti-míssil Iron Dome de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel, vistos de Ashkelon, Israel em 12 de maio de 2021. REUTERS / Amir Cohen Foto: AMIR COHEN / REUTERS
Raios de luz são vistos quando o sistema anti-míssil Iron Dome de Israel intercepta foguetes lançados da Faixa de Gaza em direção a Israel, vistos de Ashkelon, Israel em 12 de maio de 2021. REUTERS / Amir Cohen Foto: AMIR COHEN / REUTERS
Um homem palestino olha para um prédio destruído na Cidade de Gaza, após uma série de ataques aéreos israelenses à Faixa de Gaza Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Um homem palestino olha para um prédio destruído na Cidade de Gaza, após uma série de ataques aéreos israelenses à Faixa de Gaza Foto: MOHAMMED ABED / AFP
Um homem israelense passa pelos restos de um foguete disparado pelo grupo islâmico palestino Hamas da Faixa de Gaza e que foi destruído pelo sistema de defesa aérea de Israel, em Ashkelon Foto: JACK GUEZ / AFP
Um homem israelense passa pelos restos de um foguete disparado pelo grupo islâmico palestino Hamas da Faixa de Gaza e que foi destruído pelo sistema de defesa aérea de Israel, em Ashkelon Foto: JACK GUEZ / AFP
Crianças caminham por rua destruída perto de uma torre que foi atingida por ataques aéreos israelenses, em meio a uma explosão de violência israelense-palestina, na cidade de Gaza Foto: MOHAMMED SALEM / REUTERS
Crianças caminham por rua destruída perto de uma torre que foi atingida por ataques aéreos israelenses, em meio a uma explosão de violência israelense-palestina, na cidade de Gaza Foto: MOHAMMED SALEM / REUTERS
Rolos da Torá, escrituras sagradas judaicas, são removidos de uma sinagoga que foi incendiada durante confrontos violentos na cidade de Lod, em Israel, entre manifestantes árabes israelenses e a polícia Foto: RONEN ZVULUN / REUTERS
Rolos da Torá, escrituras sagradas judaicas, são removidos de uma sinagoga que foi incendiada durante confrontos violentos na cidade de Lod, em Israel, entre manifestantes árabes israelenses e a polícia Foto: RONEN ZVULUN / REUTERS
Israelenses se protegem sob uma ponte na entrada da cidade central de Tel Aviv Foto: GIL COHEN-MAGEN / AFP
Israelenses se protegem sob uma ponte na entrada da cidade central de Tel Aviv Foto: GIL COHEN-MAGEN / AFP
Pessoas se abrigam no porão de um prédio na cidade israelense de Tel Aviv. Alarmes pela cidade , depois que foguetes foram lançados contra Israel da Faixa de Gaza Foto: GIDEON MARKOWICZ / AFP
Pessoas se abrigam no porão de um prédio na cidade israelense de Tel Aviv. Alarmes pela cidade , depois que foguetes foram lançados contra Israel da Faixa de Gaza Foto: GIDEON MARKOWICZ / AFP

Aterros sanitários estão fechados, e pilhas de lixo se amontoam. Parte do sistema de saneamento foi danificado pelos bombardeios, fazendo com que a água do esgoto tomasse algumas ruas.

Em uma entrevista coletiva nesta terça, o porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Jens Laerke, disse que cerca de 47 mil das pessoas deslocadas abrigam-se em 58 escolas que a organização mantém na região. Segundo o representante, 132 prédios foram completamente destruídos e 316, seriamente danificados.

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Ao menos 40 escolas também foram danificadas na última semana, segundo a ONU. Devido a escalada, 600 mil crianças e adolescentes estão em aulas.

O nível de destruição só acentua a crise em Gaza, palco de conflitos intermitentes há décadas e duramente impactada pelos bloqueios liderados por Israel. Um relatório da ONU no fim do ano passado estima que as restrições custaram ao enclave mais de US$ 16 bilhões entre 2007 e 2018, período no qual Tel Aviv e o Hamas travaram três guerras.

As atividades econômicas no território colapsaram e 56% da população local vive em situação de pobreza. De acordo com a ONU, 75% dos palestinos que viviam no enclave em 2019 dependem de auxílio alimentar humanitário para se alimentar e há escassez de um terço de remédios básicos.

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Israel tinha permitido nesta terça a abertura de uma passagem para Gaza, permitindo a entrada de ajuda humanitária e combustível. O cruzamento de Karam Abu Salem, contudo, foi fechado horas depois devido a um ataque com morteiros enquanto os caminhões passavam.

A tendência é que um eventual cessar-fogo entre Israel e o Hamas não melhore muito a situação, diante dos danos extensos à infraestrutura local.

Em uma entrevista à AFP o neurocirurgião palestino Usama el Aklouk lembrou que “conforme prédios como a torre al-Jalaa caíam” — prédio bombardeado por Israel no sábado que abrigava os escritórios da agência de notícias americana Associated Press e da emissora catari al-Jazeera — “caíam também casas, negócios, empresas em cada rua atacada”.

Segundo o médico, que já vivenciou três guerras na região, é inédito que “o alvo dos ataques israelenses seja simplesmente as ruas principais da cidade”. Entre elas, avenidas que abrigam hospitais, lojas e diversos estabelecimentos comerciais. Segundo Aklouk, que é vice-diretor do hospital al-Shifa, um dos principais do enclave, os estragos causados pelos bombardeios dificultam até mesmo o tráfego de ambulância e a rapidez com que podem chegar aos hospitais.

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Na terça, uma instalação da Crescente Vermelha do Catar foi bombardeada pelos israelenses, além de instalações do Ministério da Saúde. No domingo, uma clínica do Médicos sem Fronteira foi destruída, deixando uma sala de esterilização e uma área de espera inutilizáveis.

Os danos sobrecarregam um sistema sanitário já exaurido pela pandemia de Covid-19, em meio à disseminação da variante britânica B 1.1.7 na região. Até o início de maio, segundo o Médicos sem Fronteira, Gaza era responsável por 60% dos diagnósticos de coronavírus nos territórios palestinos, apesar de abrigar apenas 40% de sua população.

Se em Israel mais de 60% da população já tomou ao menos uma dose da vacina contra a Covid-19, na faixa de Gaza o percentual está próximo de 5%. Além dos danos ao sistema hospitalar, teme-se também que o vírus se dissemine entre abrigos e acampamentos para pessoas deslocadas, acentuando o contágio.

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