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Friday, November 26, 2021

Artistas criticam proibição de trabalho privado na imprensa e cultura de Cuba

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Governo anunciou expansão de seu setor privado, mas, ao lado de saúde e educação, manteve atividades ligadas à liberdade de expressão vinculadas ao Estado

AFP e O Globo

12/02/2021 – 07:00

Prédio do Instituto Cubano de Cinema, em Havana Foto: Reprodução
Prédio do Instituto Cubano de Cinema, em Havana Foto: Reprodução

No último fim de semana, o governo de Cuba anunciou a expansão de seu setor privado, de 127 profissões para mais de duas mil. Nesta quarta-feira, foi publicada uma lista de 124 profissões que devem permanecer sob controle do governo. Ao lado de áreas como saúde e educação, jornalismo, produção cultural, programação de TV e cinema e artes em geral não poderão ter iniciativas privadas.

A interdição levou artistas, comunicadores sociais e jornalistas independentes a manifestarem descontentamento nesta quinta-feira com as normas oficiais que inibem a liberdade de expressão.

“Concordo com as proibições que têm a ver com controle de armas e tudo que ameace a segurança e / ou o bem-estar do cidadão”, disse o conhecido cantor e compositor Silvio Rodríguez em seu blog Segunda Cita.

Porém, acrescentou, “gostaria de ler, na íntegra, o relatório que mostra que o resto das proibições beneficiam o povo. Por maior que seja”. A mensagem foi posteriormente apagada.

O artigo 57 da lista oficial proíbe “a produção audiovisual e cinematográfica, as atividades de gravação de som e edição musical, exceto a operação e / ou aluguel de equipamentos”.

— As proibições tendem a confundir algo já conquistado: o reconhecimento do cinema independente com fundos estatais — disse o documentarista e produtor Juan Pin Vilar à AFP. — A possibilidade de legitimar quem é artista e qual obra constitui arte está sendo devolvida às mãos de uma burocracia corrupta. Vamos passar do cinema independente ao clandestino: mas não vamos parar.

Em nota divulgada esta quinta-feira em seu portal de internet, o Instituto Cubano de Cinema (ICAIC) esclareceu que “a produção audiovisual e cinematográfica independente não é afetada pelas novas disposições” porque os criadores independentes do setor cinematográfico não são autônomos.

Esses trabalhadores “realizam sua atividade a partir de sua condição de artista, reconhecida como forma de gestão não estatal”, afirmou o ICAIC.

Ricardo Herrero, diretor executivo do Cuba Study Group, com sede em Washington, questionou que a proibição da “atividade cultural independente é parte da mudança que as pessoas estão pedindo”.

Leia também: San Isidro, o movimento de artistas dissidentes que rompeu barreiras do governo cubano

Na lista oficial, também é vetada a “edição e diagramação de livros, diretórios e listas de mala direta, jornais, tablóides e revistas em qualquer formato ou meio”, bem como as “atividades de agências de notícias independentes”.

No caso do jornalismo independente, embora até agora não fosse explicitamente proibido, também não é legalmente reconhecido.

— Vou continuar a fazer jornalismo independente. Quando comecei era proibido, agora é proibido e amanhã parece que vai ser proibido — disse Yoani Sánchez, diretora do jornal digital ilegal 14 y Medio, em sua conta no Twitter. — A única coisa que não muda é minha resolução de informar, contar e relatar. Eu não saí, não vou sair, não partirei [de Cuba].

Arquitetos, médicos, engenheiros e cientistas também estão de fora da lista. Em declarações ao Miami Herald, o economista Carmelo Meso-Lago esclareceu as razões do governo para proibir a privatização de certos setores.

— Se você permitir que arquitetos exerçam atividades privadas, eles deixarão o setor estatal — afirmou.

Em uma carta aberta publicada nesta semana, cerca de 30 proeminentes artistas e acadêmicos cubanos, que vivem ou não na ilha, pediram ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o fim do embargo, em vigor desde 1962. A carta, publicada pela revista digital independente La Joven Cuba e aberta a novas assinaturas, conta com nomes de renomadas personalidades cubanas como o cineasta Fernando Pérez e o ator Jorge Perugorría, além de outras personalidades do mundo intelectual e artístico.

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