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Thursday, October 28, 2021

Após libertação de executiva da Huawei, China solta dois cidadãos canadenses presos desde 2018

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Kovrig e Spavor haviam sido presos em Pequim pouco após a detenção de Meng Wanzhou no aeroporto de Vancouver, em casos vistos como interligados, apesar das negativas oficiais

O Globo e agências internacionais

24/09/2021 – 22:51 / Atualizado em 24/09/2021 – 23:10

Manifestantes carregam cartazes com as imagens de Michael Spavor e Michael Kovrig, canadenses presos na China, durante protesto em Vancouver Foto: JASON REDMOND / AFP
Manifestantes carregam cartazes com as imagens de Michael Spavor e Michael Kovrig, canadenses presos na China, durante protesto em Vancouver Foto: JASON REDMOND / AFP

OTTAWA — Dois cidadãos canadenses presos na China desde 2018 foram libertados e já estão a caminho de casa, uma decisão anunciada horas depois do acordo entre os EUA e a diretora financeira da gigante de telecomunicações Huawei, Meng Wanzhou, que possibilitou sua libertação no Canadá.

— Há 12 minutos, o avião que transporta Michael Kovrig e Michael Spavor saiu do espaço aéreo chinês e se dirige ao Canadá — declarou, em entrevista coletiva, o premier canadense, Justin Trudeau.

O empresário Spavor e o ex-diplomata Kovrig foram presos em Pequim, em dezembro de 2018, e posteriormente acusados de espionagem, algo que os dois rejeitaram de maneira categórica.

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Em março, os dois foram julgados em processos considerados sumários, concluídos em apenas um dia a portas fechadas. As autoridades chinesas alegam que o processo ocorreu dessa forma porque envolvia temas de segurança nacional e dizem que informações sobre o caso eram fornecidas “de maneira frequente” pela Chancelaria e fontes judiciais.

Em agosto, Spavor chegou a ser sentenciado a 11 anos de prisão, além de ter 50.000 iuanes (R$ 40.042) em bens confiscados por ordem da Justiça. Na época, Trudeau afirmou que a condenação era “absolutamente inaceitável e injusta” e defendeu a libertação imediata do empresário.

“O veredicto do sr. Spavor vem após mais de dois anos e meio de detenção arbitrária, falta de transparência no processo legal e um julgamento que não cumpriu os padrões mínimos da lei internacional”, declarou Trudeau em comunicado. A decisão também foi criticada pelo Departamento de Estado dos EUA e pelo governo da Alemanha. No caso de Kovrig, ainda não havia uma data para a divulgação da sentença.

Casos ligados

Apesar de o governo chinês negar uma relação entre os casos, a prisão dos dois canadenses ocorreu pouco depois da detenção, no aeroporto de Vancouver, de Meng Wanzhou, diretora financeira da gigante chinesa do setor de telecomunicações Huawei.

A ação ocorreu a pedido do governo dos EUA, que a acusou de “conspiração para cometer fraude contra múltiplas instituições internacionais” e pedia sua extradição para que fosse julgada na Justiça americana. Segundo a denúncia, Meng teria enganado o banco HSBC sobre suas relações com a empresa Skycom, baseada em Hong Kong e que buscaria vender equipamentos com tecnologia americana para o Irã, violando as sanções impostas por Washington a Teerã.

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Ela nega todas as acusações, e sua defesa alegava que o governo americano forneceu informações enganosas às autoridades canadenses para fazer o pedido de prisão, ocorrido em meio a uma ofensiva do então presidente Donald Trump contra empresas chinesas e o próprio governo de Pequim. Por isso, diziam seus advogados, sua prisão seria um ato político dos americanos contra a China.

Em meio a intensos contatos diplomáticos e políticos envolvendo autoridades e diplomatas de Canadá, China e EUA, uma decisão da Justiça canadense abriu o caminho para o retorno de Meng e, por consequência, dos dois cidadãos canadenses.

Pelo acordo, a executiva precisou admitir ter cometido delitos relacionados às sanções, e as queixas foram retiradas pela promotoria. Ela embarcou de volta para a China no começo da noite desta sexta-feira. Horas depois, Kovrig e Spavor também deixariam a prisão e embarcariam de volta ao Canadá.

Os acordos, contudo, não contemplam outro cidadão canadense recentemente condenado à morte pela Justiça chinesa: Robert Schellenberg foi sentenciado a 15 anos de prisão em novembro de 2018, acusado de tráfico de drogas. Mas o caso foi reaberto este ano e a sentença passou para a pena de morte. Ele ainda pode ter a condenação alterada pela  Suprema Corte chinesa.

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