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Monday, April 12, 2021

Após derrota para Azerbaijão, premier da Armênia denuncia tentativa de golpe militar

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Chefe das Forças Armadas emitiu nota nesta quinta-feira exigindo a renúncia de Pashinyan, mas não deixou claro se estava disposto a usar a força para apoiar a declaração

O Globo e agências internacionais

25/02/2021 – 15:51
/ Atualizado em 25/02/2021 – 17:32

O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, discursa para seus apoiadores no centro da capital, Ierevan Foto: Stepan Poghosyan/Photolure / via REUTERS/25-2-2021
O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, discursa para seus apoiadores no centro da capital, Ierevan Foto: Stepan Poghosyan/Photolure / via REUTERS/25-2-2021

IEREVAN — O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, denunciou uma tentativa de golpe militar contra seu governo nesta quinta-feira e pediu a seus apoiadores que se manifestassem na capital depois que o chefe do Estado Maior das Forças Armadas exigiu que ele renunciasse.

— O Exército não pode se envolver em processos políticos, o Exército deve obedecer ao povo e ao poder político eleito pelo povo — disse Pashinyan em um discurso inflamado para milhares de pessoas na capital. — A questão mais importante agora é manter o poder nas mãos do povo, porque considero o que está acontecendo um golpe militar.

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Milhares de pessoas foram para as ruas protestar, a maioria delas a favor de Pashinyan. Muitos opositores, no entanto, também foram vistos na capital, Ierevan, aplaudindo a iniciativa do Exército, enquanto caças militares sobrevoavam o centro da cidade. Em uma rua, manifestantes ergueram barricadas usando latas de lixo.

Pashinyan, de 45 anos, enfrenta pressão para renunciar desde novembro por causa de sua gestão do conflito histórico com o Azerbaijão no enclave de Nagorno-Karabakh, um território internacionalmente reconhecido como azeri, mas habitado por uma maioria étnica armênia. Essa, porém, foi a primeira vez que os militares pediram publicamente sua renúncia.

“A gestão ineficaz do atual governo e os graves erros de política externa colocaram o país à beira do colapso”, disse o Exército em um comunicado, sem deixar claro se estava disposto a usar a força para apoiar a declaração, na qual pedia a renúncia de Pashinyan.

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Dois ex-presidentes, Robert Kocharyan e Serzh Sarksyan, divulgaram declarações conclamando os armênios a apoiarem os militares.

Na transmissão ao vivo, Pashinyan disse que demitiu o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Onnik Gasparyan, mas a medida não foi ratificada pelo presidente Armen Sarkissian.

A demanda do Exército mergulhou a empobrecida ex-república soviética de menos de 3 milhões de habitantes em uma nova crise política, poucos meses após as forças étnicas armênias perderem a guerra e territórios para o Azerbaijão em Nagorno-Karabakh. A derrota, em novembro, foi um duro golpe para os armênios, que na década de 1990 já haviam travado uma guerra com o Azerbaijão por causa do enclave montanhoso que matou pelo menos 30 mil pessoas. O acordo de cessar-fogo total mediado pela Rússia enfureceu a população armênia, que o considerou uma capitulação.

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Pashinyan, um ex-jornalista que chegou ao poder em uma revolução pacífica em maio de 2018, diz que assume a responsabilidade pelo que aconteceu, mas se recusou a desistir, dizendo que ele é necessário para garantir a segurança de seu país. Por volta das 21h30 (14h30 no Brasil), ele pediu aos seus apoiadores que voltassem para casa e à oposição, que parasse de protestar, e sugeriu negociações.

A Rússia, aliada da Armênia, disse estar alarmada com os acontecimentos na ex-república soviética, onde tem uma base militar, e exortou as partes a resolverem a situação pacificamente e dentro da estrutura da Constituição. O Kremlin informou em nota que o presidente Vladimir Putin ligou para Pashinyan na noite desta quinta-feira (tarde no Brasil). O conteúdo da conversa ainda não foi divulgado.

Os Estados Unidos, que dividem com a Rússia e a França a liderança do Grupo de Minsk, também pediram calma a todas as partes na Armênia, lembrando “o princípio democrático de que as Forças Armadas dos Estados não devem intervir na política interna”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Arayik Harutyunyan, presidente do enclave de Nagorno-Karabakh, ofereceu-se para atuar como mediador entre Pashinyan e o Estado-Maior. “Já derramamos sangue suficiente. É hora de superar as crises e seguir em frente. Estou em Ierevan e estou pronto para me tornar um mediador para superar esta crise política”, disse ele no Facebook.

Em nota, o Ministério da Defesa disse que o Exército não era uma estrutura política e que quaisquer tentativas de envolvê-lo na política eram inadmissíveis.

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