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Monday, September 27, 2021

Ana Cañas grava clipe com Maria Casadevall e lembra início de carreira: 'Já cantei por um prato de comida'

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Cantora, que prepara álbum com músicas de Belchior, fala bissexualidade e de como lidou com a perda do pai por alcoolismo: ‘Quando ele morreu, comecei a beber’

Maria Fortuna

05/07/2021 – 07:30 / Atualizado em 05/07/2021 – 07:32

Ana Cañas e Maria Casadevall no clipe de 'Alucinação' Foto: Ariela Bueno
Ana Cañas e Maria Casadevall no clipe de ‘Alucinação’ Foto: Ariela Bueno

Enquanto artistas estão sob pressão para se posicionar politicamente, Ana Cañas precisou parar de falar. Conhecida pela militância, a cantora participou de manifestações e sempre bradou contra violência e assédio — mesmo com ameaças de morte nas redes ou chuva de lata no palco — se viu emocionalmente abalada e distante de sua maior vocação, a música. (Leia a entrevista completa)

O resgate veio pela obra de Belchior, autor das canções que ela agora grava em um disco que a fez se reconectar com suas origens como cantora. Ana iniciou a trajetória como intérprete de jazz e MPB na noite. A música foi a saída para conseguir se sustentar após romper com a mãe e sair de casa. Se virava cantando em bares (“já cantei por um prato de comida”).

Ana Cañas Foto: Ariela Bueno / Divulgação
Ana Cañas Foto: Ariela Bueno / Divulgação

— É um gênio que teve a capacidade de abraçar o alicerce do que nos faz humanos. Ele conheceu a miséria. De certa forma, estou me reconectando com minhas origens, quando comecei cantando na noite. Já cantei em pé-sujo por um prato de comida — diz Ana. — Já fiquei em situação de vulnerabilidade extrema, com R$ 2 reais para comer.

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Ana Cañas diz que Belchior a fez reconectar novamente com a música Foto: Fernanda Carvalho
Ana Cañas diz que Belchior a fez reconectar novamente com a música Foto: Fernanda Carvalho

Aos 40 anos, prepara o 6º álbum, que será lançado em setembro. Mas o single “Coração selvagem” já está nas plataformas. No próximo dia 9, chegam outras quatro canções, entre elas, o clássico belchioriano “Alucinação”. Nos shows que fez na Ocupação 9 de Julho, que abrigava famílias sem teto em São Paulo, Ana dividia o microfone com Maria Casadevall nessa música. Por isso, convidou a atriz a participar do clipe, inspirado no filme “Persona — Quando duas mulheres pecam”, de Ingmar Bergman, sobre a cumplicidade entre duas mulheres.

— É um encontro potente de mulheres. Maria é uma grande atriz e uma pessoa linda. Ela está num momento particular de vida, reconstruindo algumas coisa, namorando uma percussionista… O clipe não tem uma narrativa de casal gay, mas quando falamos de amar e mudar as coisas a mensagem está subliminar ali e é sempre bom reforçar — diz Ana. — Minhas primeiras relações sexuais foram com mulheres. Um período conturbado, sofria bullying. Lembro de um professor me chamar de sapatão. Fiquei temerosa na vida adulta. Quando me separei, há cinco anos, voltei a sair com mulheres. É preciso ter cuidado, porque usar a visibilidade LGBT para conquistar público… Bissexuais sofrem preconceito no movimento LGBT e são apontados como indecisos ou promíscuos.

Na entrevista completa, Ana Cañas fala do alcoolismo do pai (“quando ele morreu, comecei a beber”), da perda do irmão por afogamento e de como o assédio que sofreu na adolescência travou seus orgasmos.

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