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Sunday, September 26, 2021

400 policiais argentinos que se rebelaram para reivindicar melhores salários são suspensos

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Punições podem chegar a até 1.800 policiais que cercaram palácio presidencial, e demissões da corporação não estão descartadas

AFP e O Globo

09/02/2021 – 19:27
/ Atualizado em 09/02/2021 – 19:29

Grupo de policiais protesta em frente à residência oficial de Olivos, em Buenos Aires Foto: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS
Grupo de policiais protesta em frente à residência oficial de Olivos, em Buenos Aires Foto: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS

BUENOS AIRES Cerca de 400 policiais argentinos que em setembro realizaram um levante para exigir melhores salários foram suspensos nesta terça-feira e estão à beira do desemprego, informaram autoridades da área de segurança.

Durante o protesto, os policiais, armados e com carros da polícia, cercaram a residência oficial presidencia, no Norte de Buenos Aires, embora naquela ocasião o presidente Alberto Fernández não estivesse presente.

O protesto não tinha uma liderança clara e começou depois de o presidente ter anunciado um novo plano de segurança para a província de Buenos Aires, a mais importante do país, que não incluía aumentos salariais.

Os policiais exigiam, entre muitas outras coisas, reajustes entre 35% e 60%. Carros policiais circularam ao redor da residência presidencial tocando suas sirenes, e o presidente convocou os manifestantes ao diálogo.

— Eles não cumpriram sua missão policial. Eles não cumpriram a lei — disse o ministro da Segurança da província de Buenos Aires, Sergio Berni, em declarações à rádio Mitre.

Com a sanção, os policiais ficam dispensados do serviço e devem entregar sua arma profissional. Enquanto durar a suspensão, eles receberão apenas 50% do salário, e podem até ser demitidos.

No total, a Corregedoria investiga cerca de 1.800 policiais envolvidos. As autoridades não descartam a ampliação da lista de punidos.

Apesar de o governo ter declarado ilegal o protesto policial, a partir dele foi ordenada uma melhoria nos salários dos policiais, que tiveram o apoio de ex-integrantes da força exonerados por crimes ou infrações disciplinares.

Contexto: Pandemia, crise econômica e medidas de intervenção afetam popularidade de Fernández

Ao se concentrar em frente ao palácio presidencial de Olivos e em outros bairros, a polícia violou as normas sanitárias em vigor contra a Covid-19, que registra quase dois milhões de casos e mais de 49 mil mortes em um país de 45 milhões de habitantes.

Os resumos internos, elaborados após cinco meses de investigação, falam em violações “muito graves” ao regimento da policial.

A força policial de Buenos Aires é a maior da Argentina, com quase 90 mil soldados, para uma população de 17 milhões de pessoas, e tem má reputação por casos de “gatilho fácil”, entre outros crimes.

O trabalho aumentou com a pandemia, já que os policiais passaram a fiscalizar o cumprimento das medidas de isolamento impostas desde março. Além disso, a Covid-19 tirou dos policiais a possibilidade de aumentar seus ganhos com bicos, como a segurança de eventos artísticos e esportivos.

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